De acordo com levantamento da consultoria StoneX divulgado nesta semana, a safra brasileira de grãos 2026/27 deve alcançar volumes recordes, com a soja estimada em 183,1 milhões de toneladas e o milho totalizando cerca de 142,4 milhões de toneladas, embora margens apertadas, custos operacionais elevados e incertezas climáticas tragam cautela ao setor.
Para a soja, a projeção representa um aumento de 0,3% em relação à safra anterior, suficiente para estabelecer um novo patamar máximo caso se confirme.
No Mato Grosso do Sul, a área destinada à soja deve subir para 4,46 milhões de hectares, acima dos 4,41 milhões do ciclo 2025/26, com produtividade média prevista de 3,60 toneladas por hectare, resultando em produção estimada de 16,06 milhões de toneladas, alta de 2,7% em relação ao ano passado.
Em âmbito nacional, o crescimento da área semeada será tímido, com elevação de 0,76% para 49,5 milhões de hectares, enquanto o rendimento médio deve recuar levemente de 3,72 para 3,70 toneladas por hectare, reflexo de insumos mais caros e estoques internacionais confortáveis.
O milho também apresenta tendência de recorde: a primeira safra de verão 2026/27 está estimada em 28,7 milhões de toneladas (alta de 0,2%). No Mato Grosso do Sul, a produção de milho de verão deve permanecer em torno de 153 mil toneladas. Se a segunda safra (safrinha) repetir o volume recente de 110,7 milhões de toneladas e a terceira acrescentar 3 milhões, o total nacional pode alcançar 142,4 milhões de toneladas.
Analistas apontam que o cenário depende de variáveis externas, como a influência do El Niño, que pode trazer mais umidade ao Sul e estiagem ao Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste, além da dependência de fertilizantes importados e dos custos logísticos, que permanecem como gargalos.
O consumo interno deverá sustentar o milho, com demanda doméstica projetada para superar 100 milhões de toneladas, impulsionada pela avicultura, suinocultura e expansão das usinas de etanol. Já a soja continuará a ser movida pela exportação, com previsão de envios em torno de 115 milhões de toneladas, enquanto o biodiesel nacional deve absorver o volume restante da oleaginosa.








