Em uma operação que duplica a presença física da rede, a Cellshop está concluindo a ampliação de sua loja no Shopping Dubai, em Pedro Juan Caballero, para 10 mil metros quadrados. A expansão, anunciada pelo empresário brasileiro Jorbel Griebeler, responde ao perfil de consumo exigente de quem cruza a fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.
Griebeler, que atua há mais de três décadas no comércio de eletrônicos e produtos importados na região, contou ao vivo no programa Manhã da Massa, da Massa FM Campo Grande, que a nova área será ocupada por setores que vão de eletrônicos a cosméticos, moda, pesca, camping e brinquedos. A loja já atendia, em média, 15 mil clientes por dia na matriz de Ciudad del Este, com cerca de 1.200 colaboradores e um catálogo de 250 mil produtos importados.
A trajetória do empresário começou em 1987, quando ainda criança fez uma viagem de carro com a família de Planalto, interior do Paraná, até a rodoviária de Campo Grande. A lembrança de um motorista que lhe emprestou dinheiro para continuar a viagem marcou Griebeler e, segundo ele, foi um dos fatores que o impulsionaram a buscar oportunidades no comércio exterior.
Filho de pedreiro e manicure, ele começou a trabalhar nas ruas de Foz do Iguaçu vendendo picolé e engraxando sapatos. Aos 17 anos, após experiência como vendedor de calçados, atravessou a fronteira para Ciudad del Este, onde trabalhou em lojas que comercializavam aparelhos da Pioneer e, mais tarde, os primeiros telefones celulares analógicos.
Expansão na fronteira
O primeiro ponto comercial de Griebeler foi um escritório de 12 metros quadrados no Shopping Vendôme, dedicado a acessórios para celular. A chegada do GSM, com celulares de chip, levou o negócio a um espaço de 30 metros quadrados no Jebai Center. Em 2016, ele alugou um edifício inteiro e criou a Cellshop, um formato de loja de departamentos com oito setores integrados.
Hoje, a matriz em Ciudad del Este conta com 60 mil metros quadrados de obra em fase de construção para a sede própria da empresa. A expansão para Pedro Juan Caballero começou há um ano, com uma loja de 5 mil metros quadrados no Shopping Dubai. A duplicação da área foi decidida após o empresário mapear o perfil de compra dos consumidores locais, que, segundo ele, são “muito exigentes pelos produtos consumidos”.
O segmento de cosméticos, por exemplo, ocupa a segunda posição em volume de vendas, atrás apenas dos eletrônicos. Griebeler observou que os clientes de Pedro Juan Caballero compram mais perfumes de nicho – produtos de preço elevado – do que em Ciudad del Este, indicando uma preferência por qualidade e exclusividade.
Para atrair compradores de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, o empresário adotou o lema “servir e surpreender”. Ele afirma que, quando o cliente chega da fronteira com dinheiro guardado para realizar um sonho, a equipe deve “estender o tapete vermelho”.
Desafios e oportunidades
A Cellshop também investe em marcas próprias para reduzir custos ao consumidor final. Entre as linhas exclusivas estão a marca de eletrônicos JOG, com mais de 300 itens fabricados na China, e a grife têxtil Hidrante, que utiliza algodão pima importado do Peru. Griebeler garante que, ao eliminar intermediários, a empresa entrega qualidade comparável a grandes marcas internacionais por cerca de um terço do preço de vitrine.
Ao analisar o potencial de Pedro Juan Caballero, Griebeler destacou a carência de infraestrutura de apoio ao comércio, como hotéis e restaurantes. “O Paraguai está em um momento econômico muito próspero, mas a fronteira ainda é carente de muita coisa”, disse. Ele encoraja empresários brasileiros a investirem na região, apontando a oportunidade como “enorme”.
Para marcar a expansão, a Cellshop confirmou a realização da edição local da Blue Friday, que ocorrerá de 19 a 22 de novembro. Durante o evento, a loja oferecerá descontos de até 70 % em produtos de outlet, reforçando a estratégia de atrair consumidores que buscam preços competitivos sem abrir mão da qualidade.
Com a ampliação concluída, a expectativa é que a loja de Pedro Juan Caballero passe a atender um número ainda maior de clientes diários, consolidando a posição da Cellshop como referência de comércio de importados na fronteira sul‑matogrossense. O empresário ainda não divulgou a data exata de inauguração da nova área, mas indica que as obras avançam rapidamente e que a operação deve estar em pleno funcionamento antes do início da Blue Friday.
Enquanto isso, a Cellshop continua a monitorar o comportamento de compra dos consumidores fronteiriços, ajustando seu mix de produtos e serviços para atender a demandas que vão além dos eletrônicos, como moda, pesca, camping e itens de perfumaria. O objetivo, segundo Griebeler, é transformar a experiência de compra na fronteira em um serviço de alto padrão, capaz de competir com grandes centros comerciais da região.







