O 11º Encontro de Gestores, aberto na terça-feira (14) e com programação até quarta-feira (15) dentro do calendário do RCN Agro 2026, reuniu líderes do agronegócio para discutir práticas de alta performance e tendências que moldam o setor. Organizado pela Terra Desenvolvimento Agropecuário em parceria com o Grupo RCN, o encontro também integra o Fórum Lide Agro Expogrande e reforça a proposta de aproximar conhecimento técnico de gestão estratégica em favor do avanço sustentável do agro.
Na abertura, a palestra do comunicólogo Dado Schneider concentrou a atenção dos participantes ao abordar a transição cultural vivida pelas organizações e o efeito da tecnologia nas relações de trabalho. Segundo o especialista, o critério que diferencia profissionais atualmente deixou de ser a idade cronológica e passou a ser a forma de pensar. “No século XX a divisão era etária; no século XXI a distinção é mental”, resumiu, ao defender que empresas precisam avaliar perfis comportamentais em vez de rótulos geracionais convencionais.
Schneider afirmou que o momento histórico se assemelha a uma “adolescência do futuro”, fase em que ainda se carrega parte de hábitos do período anterior enquanto novas lógicas ganham força. Para ele, quem iniciou a carreira no século passado precisa se adaptar constantemente para permanecer relevante. “O mundo mudou bem na minha vez”, comentou, destacando que profissionais experientes necessitam compreender expectativas dos colegas mais jovens e incorporar práticas digitais ao cotidiano corporativo.
O palestrante também chamou a atenção para o aumento da expectativa de vida, argumentando que a possibilidade de superar os 100 anos altera profundamente a trajetória profissional. Segundo ele, carreiras mais longas exigem múltiplos ciclos de reinvenção e obrigam empresas a rever políticas de atualização contínua. O fenômeno, avaliou, interfere na tradicional segmentação de gerações e amplia a convivência simultânea de diferentes faixas etárias em mesmo ambiente de trabalho.
Para ilustrar as novas dinâmicas familiares e profissionais, Schneider recorreu à metáfora do porta-aviões: pais e gestores seriam a embarcação que fornece estrutura, enquanto filhos e jovens colaboradores seriam os “aviõezinhos” que partem em busca de experiências, retornando sempre que precisam de suporte. A imagem, disse, exemplifica a necessidade de aceitar movimentos de ida e volta de talentos e de manter diálogo aberto entre perfis distintos.
A tecnologia apareceu como eixo central da exposição. O palestrante classificou a inteligência artificial (IA) como transformação mais profunda do que foi a internet, por ser instantânea, abrangente e de efeito imediato sobre processos produtivos. Aos gestores presentes, indicou que a IA já redefiniu parâmetros de eficiência e que ignorar ferramentas digitais pode comprometer a competitividade das propriedades rurais e das empresas de insumos, logística e serviços.
Schneider ressaltou ainda a importância da autonomia digital. De acordo com ele, estar inserido no universo on-line sem depender de terceiros para operar aplicativos, plataformas e dispositivos é característica que identifica o “velho jovem” – profissional maduro que mantém postura de aprendizado contínuo. Essa condição, pontuou, será decisiva para lideranças capazes de integrar equipes multigeracionais e tecnologias emergentes.
Ao encerrar, o palestrante alertou para o risco de conflitos caso organizações não promovam espaços de escuta entre gerações. A ausência de diálogo, afirmou, pode levar ao “caos” no ambiente corporativo, minando iniciativas de inovação e comprometendo resultados. A recomendação se alinha ao objetivo geral do 11º Encontro de Gestores, que busca harmonizar pessoas, processos e conhecimento científico em benefício do agronegócio contemporâneo.
Além da apresentação de Schneider, a programação do evento inclui painéis técnicos, rodadas de discussão e casos de sucesso que tratam de eficiência operacional, governança, sustentabilidade e novas tecnologias para o campo. Os temas foram escolhidos para apoiar produtores, executivos e consultores na construção de estratégias que combinem rentabilidade e responsabilidade socioambiental, alinhadas às exigências de mercados nacionais e internacionais.
Com duração de dois dias, o encontro encerra-se na quarta-feira com a entrega de certificados aos participantes e a divulgação de um relatório de recomendações práticas derivadas dos debates. A expectativa da organização é que as reflexões sobre choque geracional, longevidade e inteligência artificial apresentadas por Dado Schneider sirvam de ponto de partida para programas internos de capacitação e para a revisão de políticas de gestão de pessoas nas empresas do setor.
O RCN Agro 2026 segue até o final do ano com outras iniciativas voltadas à difusão de conhecimento, consolidando a parceria entre Terra Desenvolvimento Agropecuário e Grupo RCN na promoção de eventos que conectem inovação, gestão e sustentabilidade no agronegócio brasileiro.









