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Ciclista de Três Lagoas completa 1.169 km até Aparecida do Norte pelo Caminho da Fé

Três Lagoas (MS) – O administrador de empresas Adriano de Souza Pereira, 48 anos, concluiu pela quarta vez o Caminho da Fé, rota de cicloturismo que liga o interior de Minas Gerais e de São Paulo ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Ao todo, o morador de Três Lagoas pedalou 1.169 quilômetros entre 22 de março e 4 de abril, superando mais de 15 mil metros de altimetria acumulada.

A viagem teve início ainda de madrugada, em 22 de março, quando Adriano saiu sozinho de Três Lagoas. Os primeiros trechos, formados por retas asfaltadas, facilitaram o aquecimento. Com o avanço da jornada, surgiram longas subidas e pisos irregulares que exigiram esforço contínuo. O ciclista manteve ritmo constante, alternando períodos de pedal noturno e diurno conforme as condições climáticas e o planejamento de paradas previamente definido.

Consciente dos riscos envolvidos em percursos de longa distância, o cicloturista preparou a expedição com antecedência. Ele traçou mapas digitais, listou cidades para pernoite e estabeleceu pontos de abastecimento de água e alimentos. Durante todo o trajeto, enviou atualizações de localização a familiares e amigos por aplicativos de mensagens, uma estratégia voltada à segurança e ao acompanhamento em tempo real.

Em 4 de abril, após percorrer aproximadamente 850 quilômetros em território sul-mato-grossense e paulista, Adriano encontrou um grupo de ciclistas conterrâneos na cidade paulista de Águas da Prata, marco inicial oficial do Caminho da Fé. Juntos, deram sequência a 318 quilômetros considerados a fase “raiz” da rota, caracterizada por trilhas de terra, trechos de cascalho e ladeiras íngremes na Serra da Mantiqueira.

Ao longo desse segmento, o pelotão passou por municípios como Andradas, Ouro Fino, Paraisópolis, Campos do Jordão e Pindamonhangaba. O relevo montanhoso elevou o grau de dificuldade, mas, segundo o ciclista, também ofereceu vistas panorâmicas que funcionam como incentivo natural. Paradas estratégicas em pousadas rurais e pontos de apoio para peregrinos permitiram descanso, manutenção simples nas bicicletas e reposição de calorias.

Para Adriano, a iniciativa não se limita ao desafio esportivo. Ele encarou o trecho como peregrinação religiosa e momento de reflexão pessoal. Em contatos posteriores, relatou que combina esforço físico com orações silenciosas, transformando cada pedalada em oportunidade para agradecer conquistas e renovar intenções de fé. Segundo o ciclista, lembrar da esposa e dos filhos durante as horas de exaustão serviu de estímulo fundamental para evitar desistência.

O grupo chegou à Basílica de Nossa Senhora Aparecida no início da tarde de 4 de abril. Na praça do santuário, Adriano registrou a conclusão da rota, totalizando 1.169 quilômetros desde a saída de Três Lagoas. O altímetro de seu equipamento marcou mais de 15 mil metros escalados, índice semelhante ao de travessias alpinas de longa distância. Após breve descanso e participação em celebração religiosa, o ciclista iniciou o retorno de automóvel ao Mato Grosso do Sul.

De volta à rotina profissional em Três Lagoas, Adriano destacou que o planejamento foi decisivo para evitar lesões e contratempos mecânicos. Ele utilizou bicicleta de carbono equipada com bagageiro compacto, luzes de alta intensidade, GPS, capacete certificado e vestuário de secagem rápida. A alimentação priorizou carboidratos de rápida absorção, frutas e solução eletrolítica, enquanto a hidratação média permaneceu em quatro litros diários.

Com a quarta conclusão do Caminho da Fé registrada, o cicloturista já projeta novos desafios. Entre as possibilidades, avalia percorrer rotas internacionais de longa distância, sem descartar outra edição do trajeto até Aparecida. Para ele, a combinação de esporte e espiritualidade é motor permanente: mesmo depois de cruzar a linha de chegada, considera que o verdadeiro percurso se mantém aberto, impulsionando o próximo plano sobre duas rodas.