O projeto itinerante Circula Cultura MS concluiu a primeira edição no fim de maio, em Naviraí, depois de percorrer 42 municípios de Mato Grosso do Sul e alcançar aproximadamente 25 mil espectadores. A última parada contou com o espetáculo de circo “Fuzarca”, apresentado pelo grupo Trupior, além de atrações locais.
Idealizada para ampliar o acesso a bens culturais no interior do Estado, a iniciativa levou gratuitamente música, dança, teatro, circo, capoeira e outras manifestações populares a diferentes regiões. Todas as apresentações ocorreram sobre uma carreta-palco adaptada, equipada com sonorização, iluminação e estrutura técnica capazes de atender produções de variados portes.
Em cada cidade visitada, a programação foi construída em parceria com artistas, grupos e coletivos locais. Esse formato colaborativo reuniu mais de 110 atrações regionais, integradas aos espetáculos selecionados pela organização do projeto. Somadas, as agendas resultaram em mais de 200 apresentações culturais ao longo do percurso.
A participação de agentes culturais de cada município buscou fortalecer identidades regionais e gerar oportunidades para artistas, produtores e técnicos do interior do Estado. Segundo a coordenação, a presença de talentos locais em todas as etapas foi fundamental para garantir representatividade e adesão do público.
Além dos espetáculos, o Circula Cultura MS promoveu ações de economia criativa nos locais por onde passou. Feiras de artesanato, estandes de gastronomia regional e iniciativas de empreendedorismo cultural foram integradas às atividades, incentivando a circulação de renda e valorizando produtos típicos de cada região.
A diretora e produtora cultural da companhia Flor e Espinho Teatro, Nair Gavilan, avaliou que a circulação ajudou a descentralizar o acesso à cultura em Mato Grosso do Sul. Em sua análise, a presença de equipamentos técnicos adequados e a oferta de programação diversificada contribuíram para expandir públicos e reforçar a cena artística local.
O coordenador do projeto, Anderson Lima, ressaltou o papel da carreta-palco na padronização da infraestrutura disponível para os grupos participantes. De acordo com ele, o investimento em equipamentos de luz e som permitiu que as apresentações mantivessem qualidade profissional, independentemente do tamanho ou da localização das cidades visitadas.
Para a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, responsável pelo planejamento estratégico da iniciativa, os resultados alcançados indicam avanço nas políticas de democratização cultural. O diretor-presidente da autarquia, Eduardo Mendes, afirmou que atender 42 municípios e realizar centenas de apresentações confirma a relevância de direcionar recursos públicos à formação de público, ao fortalecimento da identidade regional e ao desenvolvimento econômico por meio da cultura.
Durante os meses de circulação, o cronograma contemplou municípios de distintas regiões do Estado, incluindo localidades afastadas dos principais centros urbanos. A estratégia de roteirização priorizou a abrangência territorial, buscando equilibrar o fluxo entre cidades de maior e de menor porte.
Dados reunidos pela organização indicam que o público total chegou a aproximadamente 25 mil pessoas, distribuídas pelas 42 cidades atendidas. A estimativa considera plateias presenciais registradas ao longo dos eventos e aponta adesão significativa em municípios que historicamente recebem oferta limitada de espetáculos artísticos.
Com o encerramento da primeira edição, o Circula Cultura MS deixa como legado imediato a ampliação do acesso à produção cultural sul-mato-grossense e o estímulo à participação de agentes culturais locais em circuitos profissionais. Os organizadores avaliam que a experiência também cria referências para novas ações de circulação, contribuindo para a consolidação de políticas de descentralização no Estado.
A equipe técnica agora concentra esforços na avaliação de resultados e no planejamento de futuras edições. As informações coletadas nas 42 cidades serão utilizadas para aprimorar logística, curadoria artística e estratégias de divulgação, mantendo o foco na oferta gratuita e na inclusão de diferentes expressões culturais.
Embora não haja calendário oficial para uma próxima temporada, a Fundação de Cultura e os parceiros envolvidos apontam a continuidade do projeto como prioridade, diante da procura registrada e dos indicadores de impacto socioeconômico verificados durante a primeira passagem pelo interior.
Com a conclusão em Naviraí, o Circula Cultura MS encerra um ciclo que reforçou a presença de atividades culturais em diversas comunidades e confirmou o potencial de iniciativas itinerantes para integrar artistas e públicos de todo o Mato Grosso do Sul.








