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Mato Grosso do Sul reforça vigilância contra malária em municípios da Rota da Celulose

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) promoveu, em 10 e 11 de junho, o encontro “Malária em Foco – Vigilância e Resposta na Região Extra-Amazônica da Rota da Celulose”, em Três Lagoas. A ação, realizada em parceria com o Ministério da Saúde, buscou ampliar a capacidade de identificação, diagnóstico e resposta a casos suspeitos da doença em municípios que recebem intenso fluxo de trabalhadores vindos de áreas de transmissão endêmica.

Participaram da capacitação profissionais de vigilância epidemiológica, laboratórios, assistência clínica e gestores de cinco cidades: Três Lagoas, Costa Rica, Chapadão do Sul, Inocência e Brasilândia. Esses municípios integram a chamada Rota da Celulose, corredor econômico que tem atraído mão de obra de várias regiões do país, sobretudo da Amazônia, onde a malária apresenta maior ocorrência. O crescimento da atividade industrial e o consequente aumento da migração foram apontados como motivos centrais para o fortalecimento da rede de vigilância local.

Durante os dois dias de programação, especialistas do Ministério da Saúde e da SES apresentaram protocolos atualizados para a detecção precoce da doença, enfatizando a necessidade de reconhecimento imediato dos principais sinais e sintomas. Também foram repassadas orientações sobre coleta de amostras, confirmou-se o fluxograma laboratorial para exame microscópico e teste rápido, e discutiram-se formas de agilizar a comunicação entre unidades de saúde e centrais de vigilância a fim de acelerar a notificação de casos.

Entre os temas abordados, estiveram a investigação epidemiológica completa após a confirmação de um caso, o mapeamento de possíveis focos de transmissão e as ações de busca ativa em locais de trabalho e alojamentos. Segundo os organizadores, a resposta rápida é determinante para evitar a formação de cadeias secundárias de transmissão em áreas onde não há circulação sustentada do parasita.

Novos recursos terapêuticos também entraram na pauta. Os participantes receberam orientações sobre o uso da tafenoquina, medicamento indicado para a fase hipnozoítica da malária por Plasmodium vivax. Para prescrição segura, foi reforçada a necessidade de realização prévia do teste de deficiência da enzima G6PD, procedimento que ajuda a prevenir eventos adversos em pacientes susceptíveis. A incorporação dessa ferramenta ao protocolo estadual visa ampliar a eficácia e a segurança do tratamento.

Além do componente assistencial, a capacitação destacou a logística de insumos. Representantes da SES detalharam os procedimentos para reposição de microscópios, lâminas, testes rápidos e medicamentos, de modo a garantir disponibilidade contínua nos serviços municipais. Também foi discutida a atualização dos sistemas de informação em saúde, fundamental para monitorar indicadores e subsidiar decisões estratégicas.

O consultor técnico da Coordenação-Geral de Eliminação da Malária do Ministério da Saúde, Ronan Rocha Coelho, ressaltou que mudanças socioeconômicas na Costa Leste do estado exigem preparação constante. Ele reforçou que o deslocamento sazonal de trabalhadores entre regiões endêmicas e não endêmicas torna indispensável manter unidades de pronto atendimento e laboratórios aptos a atuar 24 horas em casos suspeitos.

Para a gerente de Doenças Endêmicas da SES, Jéssica Klener, a atualização periódica das equipes é peça-chave na estratégia estadual. De acordo com a gestora, a manutenção de profissionais treinados minimiza o tempo entre o aparecimento dos sintomas e o início do tratamento, reduz complicações clínicas e impede a disseminação do protozoário.

Ao final do encontro, representantes da SES, dos cinco municípios participantes e do Ministério da Saúde pactuaram a continuidade de ações conjuntas. Entre elas, constam a realização de monitoramentos semestrais, o compartilhamento de dados laboratoriais em tempo real e a elaboração de campanhas educativas voltadas a trabalhadores recém-chegados. A meta definida é manter a Costa Leste de Mato Grosso do Sul livre de transmissão sustentada, mesmo diante do aumento do fluxo migratório impulsionado pela expansão da Rota da Celulose.

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