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Comércio de Três Lagoas registra queda nas vendas em 2025, aponta Sindivarejo

O comércio varejista de Três Lagoas não conseguiu repetir, em 2025, o desempenho alcançado no ano anterior. A constatação faz parte de levantamento divulgado pelo Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejo), entidade que representa empresários do setor no município sul-mato-grossense.

Segundo o Sindivarejo, as vendas acumuladas ao longo de 2025 ficaram abaixo das registradas em 2024. O resultado levou em conta dados fornecidos por lojistas de diferentes segmentos, desde redes de eletrodomésticos até estabelecimentos de roupas, calçados e artigos de uso pessoal. A avaliação apontou perda de ritmo em praticamente todos os trimestres, ainda que alguns períodos tenham apresentado fluxo maior de consumidores.

De acordo com a entidade, a principal explicação para a retração está na redução do poder de compra da população local. A combinação entre inflação de itens essenciais, salários que não acompanham o encarecimento do custo de vida e endividamento de famílias foi citada como fator determinante para limitar o consumo. Com menos renda disponível, muitos consumidores adiaram compras ou optaram por itens de menor valor agregado.

Outro ponto destacado pelo sindicato foi a elevação dos juros ao longo do ano. O encarecimento do crédito pesou tanto para clientes quanto para empresários. Consumidores recorreram menos ao parcelamento de compras, enquanto comerciantes enfrentaram custos financeiros maiores para capital de giro, renegociação de dívidas e investimento em estoque. Conforme o Sindivarejo, o cenário contribuiu para reduzir margens de lucro e ampliar a cautela nos pedidos junto a fornecedores.

Os custos operacionais também exerceram pressão sobre o desempenho das lojas. Despesas com energia, aluguel, tributos e reposição de mercadorias avançaram durante 2025, algumas em ritmo superior ao das vendas. A soma desses gastos diminuiu a capacidade de reinvestimento dos lojistas em promoções, modernização de espaços e campanhas de marketing, iniciativas normalmente adotadas para atrair público.

Mesmo com a conjuntura desfavorável, o sindicato observou picos de movimento em datas comemorativas tradicionais, como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal. Contudo, o volume adicional de vendas nesses momentos não compensou a performance mais fraca verificada nos outros meses. Dessa forma, o fechamento do ano permaneceu inferior ao total registrado em 2024.

A presidente do Sindivarejo, Sueidi Silva, ressaltou que, entre os diferentes perfis de estabelecimento, as chamadas lojas populares superaram a média geral. Segundo a dirigente, a estratégia de preços mais acessíveis permitiu atrair consumidores dispostos a não abrir mão de compras, mas que buscaram opções de menor custo. Ainda assim, o efeito positivo não foi suficiente para alterar o quadro geral de redução de receita no varejo local.

O levantamento não detalhou números absolutos ou percentuais de queda, mas reforçou a percepção de que o setor precisa adotar medidas para recuperar fôlego em 2026. Entre as recomendações apontadas pela entidade estão o controle rigoroso de despesas, a renegociação de contratos com fornecedores e a busca por linhas de crédito que apresentem condições mais favoráveis.

O Sindivarejo indicou, ainda, que pretende intensificar programas de qualificação profissional voltados a proprietários e funcionários de lojas. Os treinamentos devem abranger temas como gestão financeira, atendimento ao cliente, marketing digital e estratégias para ampliar vendas em canais eletrônicos, considerados cada vez mais relevantes para complementar as receitas das unidades físicas.

Além disso, o sindicato pretende manter diálogo com autoridades municipais e estaduais para discutir ações de incentivo ao comércio. Entre as pautas a serem levadas aos gestores públicos estão a possibilidade de reduzir tributos em períodos estratégicos, ampliar campanhas de atração de consumidores de cidades vizinhas e implementar projetos de segurança que ampliem a circulação de pessoas nas áreas comerciais.

Em nota, a entidade avaliou que o desempenho registrado em 2025 representa um alerta, mas não configura necessariamente tendência irreversível. A avaliação é de que a retomada do setor dependerá de melhora no ambiente macroeconômico, envolvendo queda consistente dos juros, recuperação do poder aquisitivo das famílias e redução dos custos que pressionam a estrutura das empresas.

Enquanto trabalha em ações de curto prazo, o Sindivarejo informou que seguirá monitorando mensalmente os resultados do comércio local ao longo de 2026. A intenção é identificar rapidamente eventuais pontos de inflexão, positivos ou negativos, e repassar orientações aos associados para minimizar riscos e aproveitar oportunidades.

Com a divulgação do balanço, o sindicato reforçou a importância de união entre lojistas para enfrentar o cenário adverso. A adoção de estratégias coletivas, como campanhas promocionais conjuntas e eventos que estimulem o fluxo de consumidores, foi apontada como caminho para fortalecer todo o ecossistema varejista de Três Lagoas.

O levantamento completo do Sindivarejo será apresentado em reunião interna com associados nas próximas semanas. Na ocasião, dirigentes detalharão os dados apurados, discutirão projeções para 2026 e definirão metas de desempenho que possam orientar ações específicas em cada segmento.