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Congresso nacional reúne especialistas em Campo Grande para discutir preservação de peixes nativos

O 49º Congresso de Zoológicos e Aquários do Brasil começou na manhã desta terça-feira (26) no auditório do Bioparque Pantanal, em Campo Grande. Pela primeira vez, o encontro técnico acontece em Mato Grosso do Sul, resultado de três anos de negociações entre a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (Azab) e a direção do complexo sul-mato-grossense.

Sob o tema Mergulho da Conservação, a edição de 2023 direciona o debate para as ameaças de extinção que afetam peixes continentais, espécies de água doce que compõem a ictiofauna de rios, lagoas e áreas alagáveis do Pantanal e de outras bacias brasileiras. A escolha do Bioparque como sede tem o objetivo de aproveitar a infraestrutura local, considerada propícia para impulsionar pesquisas de campo e projetos de reprodução em cativeiro.

Autoridades estaduais avaliam que a realização do congresso fortalece o posicionamento do Bioparque Pantanal como centro de conservação da biodiversidade, afastando-o da imagem de atração turística puramente recreativa. O governador Eduardo Riedel (PP) defendeu que o espaço público seja um ponto de convergência entre governo, comunidade científica e universidades, permitindo a análise rigorosa de fatores que impactam as populações de peixes e a formulação de estratégias baseadas em evidências.

A programação segue até sexta-feira (29) com mesas-redondas, painéis técnicos e apresentações de estudos que abrangem desde genética de conservação até técnicas de manejo ex situ. Diferentemente de edições anteriores, a Azab restringiu a participação a pesquisadores que atuam em projetos dentro do território brasileiro, estratégia que visa valorizar a produção científica nacional e concentrar esforços nos biomas locais.

A conferência de abertura coube à bióloga Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul. Reconhecida pelos resultados obtidos na recuperação da espécie em Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a pesquisadora compartilhou metodologias de monitoramento e manejo replicáveis em programas voltados a peixes ameaçados.

Para a diretora-geral do Bioparque, Maria Fernanda Balestieri, o complexo já demonstra capacidade de contribuir de forma concreta para a conservação. Segundo ela, nos últimos meses foram registradas reproduções inéditas de espécies de peixe de interesse científico, fato que amplia o conhecimento sobre ciclos reprodutivos e requisitos de habitat. A gestora informou ainda que mais de 90 mil estudantes de diferentes redes de ensino visitaram o local em atividades práticas de educação ambiental.

Especialistas presentes no congresso apontam como prioridades imediatas o fortalecimento de bancos genéticos, a criação de protocolos padronizados de repovoamento e a integração de dados sobre qualidade da água em tempo real. Essas iniciativas buscam enfrentar pressões simultâneas, como expansão agropecuária, instalação de hidrelétricas, pesca predatória e mudanças climáticas, fatores que reduzem populações de espécies como dourado (Salminus brasiliensis) e pacu (Piaractus mesopotamicus).

No campo administrativo, o encontro serve de preparação para uma auditoria que ocorrerá no próximo fim de semana. Três especialistas independentes visitarão setores de quarentena, recintos de exposição e laboratórios do Bioparque para avaliar protocolos de bem-estar animal, alimentação, enriquecimento ambiental e controle sanitário. O parecer é requisito para a manutenção do selo de conformidade emitido pela Azab, documento obrigatório para membros ativos da associação.

A presidente da Azab, Mara Cristina Marques, explicou que o processo de certificação segue padrões internacionais adaptados à realidade brasileira e inclui a verificação de registros, entrevistas com equipes técnicas e inspeção in loco. Caso obtenha a aprovação, o Bioparque reforçará sua elegibilidade a editais de fomento nacionais e internacionais voltados à conservação de espécies ameaçadas.

Participam do congresso representantes de zoológicos, aquários, instituições de pesquisa, órgãos ambientais e organizações não governamentais de todo o país. A expectativa dos organizadores é que os debates resultem em recomendações formais a serem encaminhadas aos conselhos estaduais de meio ambiente e às câmaras temáticas do Ministério do Meio Ambiente, contribuindo para políticas públicas de proteção aos peixes nativos.

Com a conclusão dos trabalhos na sexta-feira e a divulgação dos relatórios técnicos, a comunidade científica pretende consolidar parcerias que permitam ampliar programas de reprodução controlada, restabelecer corredores ecológicos e orientar ações de fiscalização. A avaliação geral é que a troca de experiências durante o congresso representa um passo relevante para reduzir o risco de extinção de espécies continentais e preservar o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos brasileiros.

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