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Corpo de homem é encontrado em barraco no Bairro Universitário, em Campo Grande

Um homem foi localizado sem vida na noite de sexta-feira, 2 de fevereiro, em um barraco improvisado situado nos fundos de um terreno baldio na Rua Líbero Badaró, no Bairro Universitário, em Campo Grande. O corpo, já em avançado estado de decomposição, foi descoberto por moradores que estranharam a ausência da vítima havia vários dias e decidiram verificar o local onde ela vivia.

Segundo relatos de vizinhos, o homem não era visto desde 31 de dezembro. A ausência prolongada chamou a atenção de quem circula pela região, pois ele costumava ser visto realizando pequenos serviços de pedreiro e pintor em imóveis próximos. A preocupação levou alguns moradores a entrar no barraco, onde encontraram a vítima caída no chão e imediatamente comunicaram as autoridades.

Equipes da Polícia Militar foram as primeiras a chegar, seguidas por profissionais da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Científica. Durante os trabalhos iniciais, os peritos constataram que não havia documentos pessoais que permitissem a identificação formal do morto. Também não foram observados sinais externos de violência, mas, devido ao estágio avançado de decomposição, a causa exata do óbito dependerá do laudo de necropsia.

A vítima vivia em situação de rua e ocupava o barraco havia cerca de oito meses, com autorização do proprietário do terreno baldio. Pessoas que conheciam o homem afirmaram que ele se sustentava por meio de bicos na construção civil e na pintura de pequenas edificações. O barraco era compartilhado com a companheira, que também desapareceu sem deixar informações sobre o paradeiro, conforme relataram vizinhos e o dono da área.

De acordo com testemunhas, o casal enfrentava problemas de convivência e ambos apresentavam histórico de uso de drogas, além de questões de saúde. Essas circunstâncias, somadas ao estado em que o corpo foi encontrado, são consideradas pela polícia para traçar possíveis linhas de investigação.

Durante a perícia, um par de sandálias femininas foi recolhido no interior do barraco. O objeto, segundo os investigadores, pode auxiliar na localização da companheira e esclarecer detalhes sobre os últimos momentos em que o casal esteve junto. Até o momento, não há informações sobre o paradeiro da mulher, e a busca por ela integra as ações em curso.

Procedimentos de perícia e investigação

Os peritos criminais realizaram a coleta de vestígios no local e fotografaram a estrutura da moradia improvisada, composta por tábuas de madeira, lonas plásticas e telhas de amianto. Devido ao estado do corpo, o Instituto de Medicina Legal foi acionado para remoção e posterior necropsia, procedimento necessário para determinar se houve morte natural, acidente ou outra causa.

O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) como achado de cadáver, classificação usada quando não há indícios imediatos de crime violento. Ainda assim, investigações prosseguem para verificar se fatores externos contribuíram para a morte, inclusive a possibilidade de homicídio, caso exames apontem lesões internas ou presença de substâncias tóxicas.

Policiais civis coletaram depoimentos de moradores da área, do proprietário do terreno e de pessoas que eventualmente contrataram serviços do homem. Essas informações servem para construir a cronologia dos fatos entre 31 de dezembro, última data em que ele foi visto, e 2 de fevereiro, quando o corpo foi encontrado.

A investigação também busca câmeras de segurança instaladas em imóveis vizinhos que possam ter registrado a movimentação de pessoas nas imediações do terreno baldio. Caso imagens relevantes sejam encontradas, poderão indicar quem entrou ou saiu do local nas últimas semanas.

Até a conclusão do laudo cadavérico e a localização da companheira, a polícia trabalha com hipóteses que abrangem morte por causas naturais, complicações de saúde agravadas pelo uso de entorpecentes ou possíveis conflitos domésticos. Testemunhas afirmam que brigas entre o casal eram frequentes, embora não se tenha, por ora, relatos de agressões físicas recentes.

O corpo permanece sem identificação oficial. A Polícia Civil informou que, caso ninguém se apresente para reconhecimento, serão utilizados protocolos de identificação humana, como coleta de impressões digitais, análise odontológica e, se necessário, exame de DNA. Informações sobre pessoas desaparecidas que se encaixem no perfil da vítima também estão sendo cruzadas com bancos de dados estaduais.

As autoridades solicitam que qualquer pessoa com dados sobre o paradeiro da companheira ou sobre a rotina do casal entre em contato com a delegacia responsável. O inquérito segue aberto, e novas atualizações dependerão dos resultados da necropsia e de diligências complementares.