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Dia das Mães deve injetar R$ 150 milhões no comércio de Campo Grande, projeta CDL

O varejo de Campo Grande projeta faturar aproximadamente R$ 150 milhões durante o período do Dia das Mães, segundo pesquisa realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL/CG) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). O levantamento, efetuado entre 10 e 15 de abril com 280 consumidores das sete regiões da capital sul-matogrossense, indica expectativa de crescimento de 7,5% nas vendas em comparação com a mesma data de 2023.

Os dados sugerem que a movimentação financeira ocorrerá em um cenário de mudanças nos hábitos de consumo. De acordo com a pesquisa, 32% dos entrevistados relataram que suas mães estão em algum tipo de tratamento de saúde ou relacionado à obesidade, enquanto 24% mencionaram o uso de medicamentos voltados a essas condições. Esse perfil tem alterado a destinação do orçamento familiar, reduzindo gastos com refeições volumosas e redirecionando recursos a segmentos ligados ao bem-estar.

Novo foco do consumo

O estudo revela que setores como moda, estética, perfumaria e autocuidado devem se beneficiar da nova tendência. À medida que parte das homenageadas muda de manequim e prioriza qualidade de vida, produtos que atendem a essas necessidades ganham espaço nas listas de compra. Os lojistas, por sua vez, são aconselhados a revisar estoques: coleções baseadas em tamanhos tradicionais podem perder apelo em um momento em que há demanda crescente por numerações menores.

Além do vestuário ajustado, cosméticos, serviços de estética e opções gastronômicas leves, com porções individuais, aparecem entre as categorias com maior potencial de crescimento. A preferência por experiências de qualidade, em detrimento de grandes banquetes, reforça a busca por presentes que combinem praticidade e cuidado pessoal.

Ticket médio mantém patamar elevado

A pesquisa aponta que o valor médio de compra esperado por presente deve oscilar entre R$ 250 e R$ 300. Esse ticket médio sinaliza disposição dos consumidores em investir em itens que agreguem valor percebido, mesmo diante do cenário de endividamento elevado. Segundo o levantamento, 71% da população economicamente ativa de Campo Grande possui algum tipo de dívida, situação que exige atenção redobrada por parte dos comerciantes na hora de conceder crédito.

Para reduzir riscos, a CDL/CG indica que os lojistas privilegiem parcelamentos curtos, limitados a três ou quatro vezes. Essa modalidade é vista como mais segura tanto para o comprador, que evita compromissos longos, quanto para o vendedor, que mantém o fluxo de caixa sob menor pressão. Ainda conforme o estudo, cresce a utilização do Pix com desconto como forma de pagamento imediata e sem custos adicionais, favorecendo as duas pontas da transação.

Adaptação como diferencial competitivo

No calendário do varejo, o Dia das Mães costuma ser tratado como o “Natal” do primeiro semestre. A edição deste ano reforça a relevância estratégica da data, mas destaca que o desempenho dependerá da capacidade de adaptação dos estabelecimentos às novas exigências das consumidoras. A pesquisa conclui que quem oferecer mix de produtos alinhado às tendências de saúde e bem-estar, aliado a condições de pagamento compatíveis com o nível de endividamento atual, tende a capturar a maior fatia do incremento nas vendas.

A entidade também ressalta a importância de ações de marketing direcionadas. Mensagens que valorizem autocuidado, práticas saudáveis e experiências personalizadas podem conectar-se melhor ao momento vivido por grande parte das mães campo-grandenses. O mesmo vale para estoques: a disponibilidade de tamanhos variados, inclusive menores, e de linhas de cosméticos voltadas a diferentes perfis ajuda a evitar rupturas e ampliar o tíquete final.

Expectativas regionais

Embora o levantamento tenha abrangido todas as regiões urbanas de Campo Grande, a CDL/CG não registrou diferenças significativas de intenção de compra entre elas. O comportamento de consumo parece homogêneo, com predominância das classes B e C na composição do gasto projetado. Para o varejo de bairros, o órgão recomenda reforço em atendimento personalizado e condições de pagamento flexíveis, enquanto centros comerciais de maior porte podem apostar em campanhas de fidelização e programas de pontos.

Em paralelo, a pesquisa avisa que descontos agressivos podem ter efeito limitado, pois a decisão de compra está mais relacionada ao valor percebido do presente e a sua adequação ao estilo de vida da homenageada. Experiências gastronômicas mais saudáveis, por exemplo, podem justificar preços semelhantes aos de refeições tradicionais, desde que entreguem atributos de qualidade e exclusividade.

Com o cenário traçado, a projeção de R$ 150 milhões em circulação na economia local durante o período do Dia das Mães sinaliza otimismo moderado para o comércio de Campo Grande. A combinação de tíquete médio elevado, busca por produtos de bem-estar e preocupação com o endividamento indica um consumidor disposto a gastar, mas seletivo quanto ao que, como e onde comprar. Para os lojistas, o desafio será equilibrar ofertas atraentes com políticas de crédito prudentes, garantindo fôlego financeiro até o próximo pico do calendário varejista.