As vendas brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 7,8 bilhões entre janeiro e março de 2026, volume 18,7% inferior ao registrado em igual período de 2025. A retração levou a participação dos Estados Unidos na pauta exportadora do Brasil a 9,5%, o nível mais baixo desde o início da série histórica, em 1997.
O desempenho negativo contrasta com o movimento observado no restante do comércio exterior brasileiro. Na mesma comparação, as exportações totais do país cresceram 3,5%, impulsionadas por avanços significativos em destinos como China, com alta de 21,7%, e União Europeia, que registrou expansão de 7,9%. Já a corrente de comércio bilateral – soma de exportações e importações – recuou 14,8% e totalizou US$ 17 bilhões, o menor valor dos últimos cinco anos.
Queda disseminada entre os setores exportadores
Todos os grandes grupos de produtos enviados aos Estados Unidos apresentaram variação negativa no trimestre. A indústria de transformação, responsável por parcela majoritária das vendas brasileiras ao país, recuou 14,2%. O segmento extrativo teve queda de 39,1%, enquanto a agropecuária registrou retração de 34,4%. Ao final do período, as remessas industriais somaram US$ 6,6 bilhões, menor montante desde 2022.
Entre os itens manufaturados mais afetados estiveram automóveis, autopeças, produtos químicos e motores. No setor extrativo, o recuo concentrou-se em minérios metálicos e combustíveis. Já na pauta agrícola, caíram principalmente os embarques de café em grão, carne bovina e suco de laranja.
Março mostra atenuação do ritmo de queda
Embora o resultado trimestral tenha sido o pior da série, os dados isolados de março indicam moderação. No último mês do período, as exportações para os Estados Unidos caíram 9,1% em relação ao mesmo mês de 2025, ritmo menor que o observado no acumulado. Sete dos dez principais produtos vendidos ao mercado norte-americano apresentaram crescimento, apontando possível mudança de tendência.
Destacaram-se os embarques de petróleo bruto, que avançaram 321%; aeronaves, com alta de 85,8%; máquinas elétricas, que cresceram 73,4%; e equipamentos de engenharia, com aumento de 64,7%. Os ganhos nesses itens compensaram parcialmente as perdas em automóveis, produtos químicos e máquinas não elétricas, ainda em retração.
Importações também diminuem, mas em menor intensidade
Do lado das compras brasileiras, as importações originárias dos Estados Unidos alcançaram US$ 9,2 bilhões no primeiro trimestre, recuo de 11,1% frente a 2025. A redução concentrou-se em dois grupos: máquinas e motores, que encolheram 75,6%, e petróleo bruto, com queda de 49,4%. Nos demais itens, principalmente adubos, produtos farmacêuticos e equipamentos médicos, o fluxo permaneceu em expansão.
Com o desempenho assimétrico entre exportações e importações, o Brasil acumulou déficit de aproximadamente US$ 1,4 bilhão na balança comercial bilateral no período analisado.
Perspectivas para o restante do ano
Segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil a partir de dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o cenário para os próximos meses permanece incerto. Entre os fatores de risco apontados estão a possibilidade de adoção de novas medidas tarifárias por parte de Washington e a influência do conflito no Oriente Médio sobre o preço internacional do petróleo, que afeta tanto custos de produção quanto decisões de compra e venda.
Por outro lado, a desaceleração do ritmo de queda em março, somada ao maior volume de produtos atualmente livres de sobretaxas, sinaliza espaço para uma recuperação gradual ao longo de 2026. A avaliação é de que, caso não se concretizem barreiras adicionais e o preço do petróleo se mantenha estável, as indústrias brasileira e norte-americana poderão retomar parte do dinamismo perdido no início do ano.
O Monitor lembra ainda que eventos pontuais, como ciclos de encomendas de aeronaves, projetos de infraestrutura nos Estados Unidos e variações cambiais, costumam alterar rapidamente o fluxo bilateral. Com isso, a amplitude da queda observada no primeiro trimestre pode ser parcialmente revertida se as condições de mercado se mostrarem favoráveis.
Apesar da perspectiva moderadamente otimista, o relatório ressalva que a participação das vendas ao mercado norte-americano no total exportado pelo Brasil deverá continuar abaixo da média histórica enquanto não houver diversificação significativa da pauta, hoje concentrada em bens industriais de maior valor agregado. A ampliação do portfólio de produtos e a redução de custos logísticos são apontadas como estratégias necessárias para recuperar participação nos próximos anos.
As informações completas estão detalhadas na edição mais recente do Monitor do Comércio Brasil-EUA, documento que acompanha mensalmente o desempenho da relação bilateral desde 2016.








