Já dizia a canção que “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi.” Essa frase abre a reflexão sobre o que acontece quando a saudade invade nossas vidas, especialmente no Dia de Finados, quando lembramos de quem já partiu.
Sentir saudade não costuma ser fácil. Pode ser uma dor profunda ou discreta, nostálgica ou cortante. Ela está sempre conectada ao passado, à memória de algo precioso que perdemos e que desejamos preservar.
A saudade também pode nos remeter a um sentimento de falta, de vazio, como um buraco que não sabemos como preencher. Algumas perdas deixam perguntas sem respostas, conversas interrompidas, conflitos não resolvidos.
Outras provocam uma dor tão intensa que as boas lembranças demoram a encontrar espaço. Não existe uma única maneira de viver o luto, nem um prazo determinado para deixar de sofrer.
Saudade e Luto
No entanto, a saudade tem outras camadas. Pode ser agridoce, oferecer conforto e uma sensação de proximidade com quem partiu. É também uma expressão do amor e dos momentos preciosos compartilhados.
Quando uma pessoa querida parte, de certa forma, ela pode continuar até mais presente do que antes. Para muitas pessoas, Finados é um dia de visitar cemitérios, levar flores, fazer orações ou simplesmente recordar pessoas queridas.
Para outras, é uma data difícil, que desperta a dor da ausência. Cada pessoa encontra sua própria maneira de conviver com a saudade, seja por meio de lembranças, músicas ou objetos que evocam o passado.
Eu tinha uma amiga muito querida, de 80 anos. Nós ríamos muito e eu aprendia com ela sobre envelhecer com sabedoria. Ela tinha uma família longeva e achava que viveria até os 100 anos.
Um dia, ela recebeu um diagnóstico de câncer e o resultado não foi nada bom. Nos seus últimos meses, eu tomei a decisão de visitá-la com frequência, passando algumas tardes por semana em seu apartamento, conversando, tomando chá e ouvindo suas histórias.
Uma vez, ela me perguntou por que eu ia tanto visitá-la. Eu respondi com clareza: “Porque é isso que quero fazer.” O que eu fiz foi algo muito simples: eu escolhi aproveitar a sua companhia enquanto ela ainda estava aqui.
Cada momento juntas, cada conversa, a convivência com suas filhas e netas, as histórias que eu não sabia, geraram uma intensidade emocional que me surpreendeu. Quando ela partiu, apesar da saudade, eu estava nutrida desse amor.
A saudade também nos revela algo sobre a complexidade das emoções humanas. Podemos sentir tristeza pela ausência e, ao mesmo tempo, alegria ao recordar um momento vivido. Podemos chorar e sorrir diante da mesma lembrança.
Não precisamos escolher entre a tristeza e a gratidão, entre a dor da perda e a alegria das lembranças. Há espaço para tudo isso na experiência humana. Neste Dia de Finados, podemos lembrar com carinho daqueles que já partiram, acolhendo a tristeza que sua ausência provoca.
Mas também podemos olhar para as pessoas que continuam ao nosso lado e escolher cultivar o amor enquanto há tempo. Viver até morrer é o grande convite. Deborah Dubner, psicóloga formada pela PUC-SP, escritora, palestrante TEDx e especialista em Psicologia Positiva, Neurociência e Ciência da Felicidade, compartilha essa perspectiva.
A reflexão de Dubner destaca que, mesmo diante da perda, o amor permanece ativo, transformando a saudade em uma fonte de força e inspiração para viver plenamente.







