A Energisa Mato Grosso do Sul assinou, na sexta-feira (8), a renovação do contrato de concessão para distribuição de energia elétrica no estado por mais 30 anos. O acordo foi formalizado junto ao Ministério de Minas e Energia e estabelece um novo ciclo de investimentos de R$ 4,4 bilhões entre 2026 e 2030.
O montante previsto representa elevação de aproximadamente 20% na média anual de aportes em relação ao período anterior. Os recursos serão aplicados em expansão de rede, modernização de ativos e reforço na qualidade do fornecimento, com metas regulatórias mais rigorosas definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo ministério.
Diretrizes contratuais e metas de desempenho
Com o novo contrato, a concessionária passa a operar sob parâmetros de qualidade que incluem maior resiliência a eventos climáticos extremos e estímulo à inovação tecnológica. Para o diretor-presidente da Energisa Mato Grosso do Sul, Paulo Roberto dos Santos, o modelo atualizado acompanha a evolução regulatória do setor e eleva o padrão de exigência sobre a prestação do serviço.
O executivo afirma que o objetivo é assegurar fornecimento mais confiável e alinhado ao ritmo de crescimento econômico estadual. O compromisso firmado, segundo ele, contempla não apenas a continuidade do serviço, mas também a manutenção de tarifas consideradas adequadas à realidade local.
Distribuição dos recursos
Do total programado, R$ 2,2 bilhões serão destinados à expansão das redes elétricas, permitindo 125 mil novas ligações para residências e empreendimentos. Outros R$ 2 bilhões serão aplicados em obras de modernização e melhoria de infraestrutura, voltadas à eficiência, à segurança operacional e à redução de interrupções.
Somente em 2026, primeiro ano do novo ciclo, os investimentos alcançam R$ 928 milhões. A concessionária informa que todas as regiões do estado receberão obras estruturantes.
Projetos regionais
Região Sul: estão previstas duas novas subestações de distribuição, adicionando 22,5 MVA de potência instalada. Haverá ainda ampliação de cinco subestações, com aumento de 90 MVA, além da construção de duas linhas de distribuição em alta tensão (138 kV) que totalizam 6,5 quilômetros.
Centro do estado: o plano inclui a ampliação de duas subestações, com reforço de 20 MVA, e a implantação de uma linha de distribuição de 138 kV com 5,8 quilômetros de extensão. A iniciativa busca acompanhar o avanço do mercado imobiliário e a chegada de grandes grupos do setor de incorporações.
Região Norte: haverá ampliação de uma subestação, acrescendo 15 MVA de potência, e a construção de 49 quilômetros de linhas de distribuição em média tensão, adequando o sistema ao crescimento econômico local.
Histórico de desempenho e melhorias
Nos últimos 11 anos, a Energisa Mato Grosso do Sul registrou redução de 34,4% no tempo médio sem energia por consumidor e quase 40% no número de interrupções. De acordo com a empresa, os resultados derivam de iniciativas de modernização que incluíram automação de redes e expansão de subestações.
Desde que passou a operar no estado, em 2014, a concessionária acumulou R$ 5,4 bilhões em investimentos entre 2015 e 2025. O esforço resultou em 110 subestações em operação, contribuindo para índices de continuidade considerados mais favoráveis.
Impacto para consumidores
Consumidores relatam que a ampliação da infraestrutura traz benefícios diretos. Moradores de bairros em Campo Grande apontam atendimento mais ágil a ocorrências e estabilidade no fornecimento, fatores que influenciam atividades domésticas e produtivas. Artesãos da região pantaneira, por exemplo, destacam que o acesso constante à energia e à internet possibilita produção sob encomenda e comercialização remota, ampliando renda familiar.
Perspectivas
O CEO do Grupo Energisa, Ricardo Botelho, participou da cerimônia de assinatura ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. A presença das autoridades reforçou a importância do acordo para a política energética nacional, que prioriza expansão sustentável da rede e investimentos em modernização.
Com previsão de execução até 2030, o plano de R$ 4,4 bilhões deve acompanhar a evolução industrial, agrícola e de serviços em Mato Grosso do Sul. A concessionária afirma que os projetos foram planejados para entregar capacidade instalada no tempo e nos locais adequados, evitando sobrecarga do sistema e assegurando atendimento às demandas futuras.
A renovação da concessão encerra um período de negociações iniciado em 2022 e consolida a presença da Energisa no estado até 2054. A empresa, que atua no setor elétrico brasileiro desde 1905, mantém estratégia de expansão alinhada às diretrizes regulatórias federais e às necessidades regionais, reforçando o compromisso com a qualidade do serviço e o equilíbrio tarifário.








