O mercado de grãos em Mato Grosso do Sul apresenta aperto na oferta e manutenção das cotações de milho, refletindo dados do relatório WASDE do USDA.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revisou a produtividade do milho para 180,7 sacas por acre, de 183 sacas, e aumentou as exportações de 3,2 para 3,275 bilhões de bushels, impulsionado pela oferta restrita na Ucrânia e na União Europeia. Como resultado, os estoques finais nos EUA caíram de 1,790 para 1,653 bilhões de bushels.
Essas mudanças elevaram o preço médio ao produtor norte‑americano para US$ 4,50 por bushel e reduziram o estoque final mundial de milho de 275,26 para 274,66 milhões de toneladas no ciclo 2026/27.
Em Mato Grosso do Sul, quarto maior produtor de milho do país, a safra estadual diminuiu por fatores climáticos. O Projeto SIGA‑MS indica que a área cultivada na segunda safra cresceu 3 % (2,206 milhões de hectares), mas a produtividade média recuou 22,4 %, resultando em 84,2 sacas por hectare e produção total estimada em 11,139 milhões de toneladas, 20,1 % abaixo da safra anterior.
Até a primeira quinzena de agosto, os trabalhos de campo cobriram metade da área monitorada, 6,4 pontos percentuais mais lento que o mesmo período de 2025. O encerramento da colheita ainda enfrenta riscos climáticos pontuais, como ventanias e granizo.
A sustentação dos preços locais ganha fôlego adicional com a expansão da indústria de etanol de milho em MS, que compete diretamente com as tradings exportadoras, num contexto agravado pelo déficit estrutural na capacidade de armazenagem.
Em contraste, a soja mantém fundamentos equilibrados. O USDA manteve a estimativa de safra de 186 milhões de toneladas para o Brasil no ciclo 2026/27, com estoques mundiais estáveis em 124,21 milhões de toneladas. No estado, a produção de soja encerrou o ciclo 2025/26 com volume recorde de 16,744 milhões de toneladas (+19,1 %), sustentada pela expansão do esmagamento industrial e do setor de biodiesel. A precificação da oleaginosa no curto prazo permanece dependente de variações no câmbio, no custo do frete e no ritmo das importações chinesas.








