O hábito de iniciar compras em brechós deixou de ser exceção e passou a integrar a rotina de muitos consumidores de Campo Grande. Esse movimento ganha força com a 24ª edição do Desapega CG, feira organizada pelo Coletivo de Brechós, marcada para sábado, 23 de setembro, das 8h às 16h, no Parque Ayrton Senna, com acesso gratuito. A iniciativa reúne dezenas de expositores, milhares de itens e reforça o aumento do interesse local pela moda circular e pelo consumo consciente.
Segundo a organização, mais de 80 vendedores estarão no local oferecendo cerca de 30 mil produtos. O público encontrará roupas, calçados, acessórios, brinquedos, livros, plantas, artigos infantis e peças de decoração. A proposta abrange tanto pessoas que pretendem vender itens pessoais quanto empreendedores que já atuam no segmento de segunda mão. Dessa forma, a feira funciona simultaneamente como ponto de encontro para quem deseja renovar o guarda-roupa gastando menos e como espaço de geração de renda para pequenos negócios.
A criação do evento partiu de Val Reis, coordenadora do Coletivo de Brechós. Ela relata que a ideia nasceu para dar novo destino a peças ociosas em armários da cidade. Ainda na primeira edição, o Desapega CG já atraiu grande público, indicando que havia demanda represada por um evento de grande porte voltado exclusivamente à moda de reuso. Desde então, o número de expositores se manteve elevado, e o fluxo de visitantes tem crescido a cada realização.
Além de ampliar as alternativas de consumo, a feira desempenha papel relevante na renda de participantes. Conforme Val Reis, várias pessoas que começaram comercializando roupas próprias acabaram estruturando negócios estáveis a partir das vendas obtidas no parque. Há relatos de expositoras que passaram a arcar com despesas fixas, como aluguel e mensalidades de cursos, somente com o faturamento alcançado durante as edições do Desapega CG. Esse aspecto evidencia o impacto econômico do evento, que vai além do simples repasse de peças usadas.
A diversidade de preços é outro atrativo apontado tanto pela organização quanto pelo público. Em algumas bancas, peças podem ser encontradas a partir de R$ 2, enquanto artigos de maior valor agregado — a exemplo de jaquetas de couro ou itens de grife — aparecem por valores inferiores aos praticados no varejo tradicional. Essa variação permite que o visitante garimpe desde produtos básicos até itens diferenciados, adequando o gasto ao orçamento disponível.
Lorena Beatriz, responsável pelo Loua Brechó, ilustra esse percurso. Ela participou do evento desde a estreia como expositora e hoje também circula pelos estandes como cliente. Para Lorena, o diferencial do Desapega CG está justamente na experiência de pesquisa minuciosa entre dezenas de araras e caixas, processo que costuma resultar em “achados” singulares. A variedade de estilos e tamanhos estimula o público a dedicar tempo à procura, característica que se tornou marca registrada da feira.
Os organizadores observam aumento consistente da presença de consumidores mais jovens. De acordo com Val Reis, muitos ingressam na moda circular movidos pelo interesse em construir um estilo próprio, fugindo da padronização encontrada em grandes redes de lojas. Após o primeiro contato, porém, o fator econômico ganha peso, e parte desse público passa a priorizar o brechó na hora de compor o guarda-roupa. Esse comportamento confirma a mudança de paradigma: para um número crescente de moradores de Campo Grande, a compra em segunda mão não é alternativa pontual, mas etapa inicial do processo de consumo.
A adoção de práticas ligadas à sustentabilidade reforça essa tendência. O reaproveitamento de peças reduz o volume de resíduos têxteis e diminui a demanda por novos recursos naturais, argumentos frequentemente citados por frequentadores do Desapega CG. Dessa forma, a feira estabelece ponte entre economia e preocupação ambiental, alinhando-se a correntes globais que defendem a extensão do ciclo de vida dos produtos.
Nesta edição, a estrutura montada no Parque Ayrton Senna foi planejada para acomodar grande fluxo de visitantes. Cada expositor contará com espaço individual para disposição dos itens, e a entrada permanecerá aberta durante todo o horário de funcionamento. A organização recomenda que o público leve sacolas reutilizáveis e dinheiro trocado, embora algumas bancas aceitem pagamentos eletrônicos. A expectativa é repetir, ou até superar, o público das edições anteriores, impulsionado pela divulgação em redes sociais e pela participação de expositores já conhecidos dos frequentadores.
Com a expansão do interesse pela moda circular, iniciativas semelhantes ao Desapega CG devem se consolidar no calendário cultural e econômico de Campo Grande. Enquanto isso, a 24ª edição segue como referência local para quem procura preços acessíveis, diversidade de produtos e uma alternativa de consumo alinhada à redução de impactos ambientais.








