A Polícia Penal de Mato Grosso do Sul interceptou, em diferentes ações realizadas entre sábado (16) e segunda-feira (18), tentativas de introdução de drogas e telefones celulares nas unidades prisionais de Campo Grande e Ponta Porã. Os flagrantes ocorreram durante revistas de rotina que utilizaram equipamentos de escaneamento corporal e verificação manual.
Campo Grande: visitante flagrada com cocaína em chinelo
No Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), o primeiro caso foi registrado no sábado (16). Durante a entrada de visitantes, o bodyscan indicou irregularidades em um par de chinelos pertencente a uma mulher que se dirigia a um interno da unidade. Na inspeção, os policiais penais localizaram aproximadamente 118 gramas de substância com características de cocaína ocultas na sola do calçado.
Além da droga, a equipe encontrou 625 gramas de um pó azul semelhante a sabão em pó, embalado de forma suspeita, entre os objetos da visitante. Ainda no mesmo procedimento, um celular foi recolhido com o detento que receberia a visita; o aparelho foi quebrado pelo próprio custodiado no momento da apreensão. Tanto a visitante quanto o interno foram encaminhados à delegacia para as providências cabíveis.
Ponta Porã: 1,5 quilo de entorpecentes e tentativa de suborno
Na Unidade Penal Ricardo Brandão, em Ponta Porã, a fiscalização de rotina identificou, também no sábado (16), outra tentativa de ingresso de ilícitos. O equipamento de escaneamento corporal apontou anomalias na região pélvica de uma mulher que visitaria o companheiro detido. A busca minuciosa revelou cerca de 1,5 quilo de substâncias semelhantes à cocaína e à maconha.
De acordo com o registro da ocorrência, parte do material estava escondida nas roupas íntimas da suspeita, enquanto o restante permanecia acondicionado entre as vestes externas. Ao ser questionada, ela admitiu que o objetivo era entregar a carga ao interno. Durante o procedimento, a visitante ofereceu vantagem financeira a uma policial penal para evitar a prisão; a proposta foi recusada e registrada no boletim de ocorrência. A visitante foi conduzida à autoridade policial, e o interno deverá responder administrativamente.
Novo arremesso de celulares na capital
Dois dias depois, na segunda-feira (18), servidores do Instituto Penal de Campo Grande identificaram um arremesso de objetos por cima do muro da unidade. A equipe recolheu cinco aparelhos celulares e pequenas porções de entorpecentes que caíram na área de segurança do presídio. A tentativa foi frustrada por meio de monitoramento interno e rondas externas, que fizeram a localização imediata dos pacotes. Nenhum suspeito foi localizado na área externa até o momento.
Procedimentos e tecnologia reforçam segurança
Segundo a Polícia Penal, todos os materiais apreendidos foram encaminhados para perícia. Nos três casos, foram instaurados procedimentos administrativos internos para apurar a participação dos detentos envolvidos. As visitas flagradas permanecem à disposição da Justiça e podem responder por tráfico de drogas, favorecimento ao crime e, no caso de Ponta Porã, corrupção ativa.
As ocorrências reforçam a utilização do bodyscan como ferramenta rotineira na triagem de visitantes e no controle de acesso a objetos pessoais. Equipamentos desse tipo permitem a visualização de corpos estranhos sob as roupas ou dentro de calçados, ampliando a capacidade de detecção sem revista invasiva. Aliado à inspeção manual e ao monitoramento por câmeras, o método tem sido empregado para coibir o transporte de ilícitos ao sistema prisional do estado.
Medidas internas e encaminhamentos
A Agepen, responsável pela administração penitenciária em Mato Grosso do Sul, informou que os internos flagrados podem perder benefícios previstos em legislação, como visitas ou progressão de regime, conforme análise da comissão disciplinar de cada unidade. Ainda conforme a agência, os celulares apreendidos serão encaminhados ao juizado competente para posterior descarte, e as substâncias entorpecentes terão destino definido após laudo da Polícia Civil.
Os casos permanecem sob investigação policial para identificar possíveis cúmplices externos, rotas de fornecimento e a eventual participação de organizações criminosas. As unidades continuam em regime de fiscalização intensificada, com reforço de servidores, revistas mais frequentes e uso de tecnologia para impedir novas tentativas de entrada de materiais proibidos.








