A fonoaudióloga Maristela Bacchi, do Serviço de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT) de Aparecida do Taboado, concedeu entrevista ao RCN Notícias, dentro da programação da campanha Agosto Dourado, e alertou sobre a importância do aleitamento materno para o desenvolvimento do bebê.
Maristela ressaltou que o colostro, produzido nos primeiros dias após o parto, contém proteínas e anticorpos que funcionam como primeira proteção imunológica do recém‑nascido.
Ela afirmou que o leite materno é considerado o alimento padrão‑ouro nos primeiros seis meses de vida e alertou que a pequena quantidade de colostro pode ser interpretada erroneamente como falta de leite, levando algumas mães a interromper a amamentação antes da descida do leite.
Segundo a profissional, a fonoaudiologia está ligada à amamentação porque envolve o sistema estomatognático – face, boca e pescoço – e que a sucção no peito exige um movimento de ordenha que favorece o desenvolvimento adequado da mandíbula, influenciando mastigação e fala.
Ela explicou que, na mamadeira, o bebê obtém o leite com menor esforço de sucção, alterando o padrão de movimentação da mandíbula; embora isso não garanta problemas, a amamentação natural permanece o processo fisiológico recomendado.
A fonoaudióloga destacou a necessidade de pega correta, com o bebê abocanhando a maior parte da aréola e não apenas o bico do seio; estalos durante a mamada podem indicar falha na pega, provocando dor, fissuras e redução da retirada de leite.
Maristela informou que alguns bebês apresentam reflexo de sucção reduzido ou frênulo lingual encurtado (“língua presa”), condição identificável pelo teste da linguinha e passível de intervenção nos primeiros dias de vida.
Ela orientou que fissuras, dores intensas ou sinais de infecção não devem ser tratadas com pomadas ou compressas sem orientação, devendo as mães buscar apoio profissional.
Maristela ressaltou que o início da amamentação pode ser marcado por cansaço, dor e insegurança, e que descanso, hidratação e apoio familiar são fundamentais para a produção de leite e bem‑estar da mulher.
A profissional alertou que a cabeça do bebê deve permanecer elevada e alinhada ao corpo da mãe; posição inadequada pode favorecer a entrada de leite ao ouvido médio, aumentando o risco de otite.
Ela descreveu a posição correta: bebê de frente para a mãe, barriga encostada na barriga da mãe, cabeça apoiada no interior do cotovelo, antebraço sustentando as costas e mão apoiando o bumbum, com cabeça elevada e boa pega.
Maristela informou que o SADT de Aparecida do Taboado oferece atendimento pelo SUS, incluindo consultoria de amamentação e orientação fonoaudiológica, e que profissionais especializados podem ser procurados nas equipes de saúde.
Ela concluiu que a campanha Agosto Dourado tem papel de ampliar a conscientização, reforçando que mães, famílias e profissionais devem acolher, informar e apoiar as mulheres para que as dificuldades diminuam à medida que o bebê cresce.







