Quatro mulheres com trajetórias ligadas a Mato Grosso do Sul foram incluídas na segunda edição da lista “As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, divulgada pela revista Forbes Brasil em outubro de 2026. A seleção reúne pesquisadoras, produtoras rurais, empresárias e lideranças políticas que influenciam decisões e contribuem para o desenvolvimento do setor agropecuário nacional.
Entre os nomes estão a pesquisadora Mariana de Aragão Pereira, chefe‑geral da Embrapa Gado de Corte em Campo Grande; a senadora sul‑mato‑grossense Tereza Cristina (PP‑MS); a engenheira agrônoma Stéphanie Ferreira Gobato, natural de Três Lagoas e diretora da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul); e a produtora rural e advogada Carminha Gatto Missio, vice‑presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb).
Mariana de Aragão
Mariana de Aragão Pereira tornou‑se, em 2026, a primeira mulher a assumir a chefia‑geral da Embrapa Gado de Corte, unidade com mais de cinco décadas de existência. Zootecnista formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), possui mestrado em Economia Aplicada e doutorado em Gestão Agrícola pela Lincoln University, na Nova Zelândia. Pesquisadora da Embrapa desde 2001, desenvolve trabalhos sobre gestão econômica da pecuária e cria ferramentas que auxiliam produtores na administração de propriedades rurais. Entre suas contribuições estão os sistemas Controlpec, Gerenpec e CustoBov, usados para analisar custos e apoiar decisões pecuárias, além da coordenação nacional do programa Boas Práticas Agropecuárias (BPA). Seu posicionamento na lista evidencia o pioneirismo feminino na ciência e na gestão de instituições estratégicas para a produção agropecuária brasileira.
A presença de Mariana na lista reforça a importância da pesquisa aplicada ao agronegócio e destaca a crescente inserção de mulheres em cargos de liderança técnica. Ao conduzir projetos que combinam economia e tecnologia, ela amplia o acesso de pequenos e médios produtores a informações de custo‑benefício, contribuindo para a competitividade do setor. A visibilidade conferida pela Forbes pode acelerar a adoção dos sistemas desenvolvidos por sua equipe e inspirar outras pesquisadoras a buscar cargos de direção em instituições federais.
Stéphanie Gobato
Natural de Três Lagoas, Stéphanie Ferreira Gobato integra a diretoria da Famasul como terceira tesoureira e atua como delegada efetiva do Sindicato Rural do município. Formada em engenharia agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), também estudou na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Pertencente à quarta geração de uma família de pecuaristas sul‑mato‑grossenses, direciona sua atuação ao manejo e à recuperação de pastagens degradadas, com foco em uma pecuária mais tecnológica e sustentável. Desde 2023, preside a Comissão Nacional das Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), espaço que visa fortalecer a participação feminina na representação sindical rural e formar novas lideranças.
Entre as iniciativas coordenadas por Stéphanie está a Jornada de Liderança Feminina no Agro, lançada em 2026, que oferece capacitação em gestão, comunicação, liderança e representação institucional. Ela também participa dos programas CNA Jovem e Líder MS, voltados à preparação de jovens para cargos de liderança no setor. Seu trabalho tem ampliado a visibilidade de mulheres em áreas tradicionalmente dominadas por homens, estimulando a adoção de tecnologias de recuperação de pastagens e práticas de manejo de baixo impacto ambiental.
A senadora Tereza Cristina (PP‑MS) também integra a lista de 2026, após aparecer na primeira edição de 2021. Engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal de Viçosa, representa Mato Grosso do Sul no Senado Federal desde 2023. Antes de assumir o Senado, foi ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento entre 2019 e 2022 e exerceu mandatos como deputada federal pelo estado. Sua trajetória política inclui atuação em temas ligados à produção agropecuária, comércio internacional, segurança alimentar e formulação de políticas públicas para o setor. O reconhecimento da Forbes coloca em evidência a influência da parlamentar nos espaços de decisão que moldam o agronegócio, segmento de relevância econômica para o estado.
Carminha Gatto Missio, produtora rural e advogada, é a primeira mulher a ocupar a vice‑presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) para o mandato 2026‑2030. Nascida em Espumoso, Rio Grande do Sul, construiu parte de sua carreira profissional em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde trabalhou por mais de 20 anos no setor de sementes. Enquanto atuava na área, seu pai e seus irmãos expandiam as lavouras da família no Cerrado baiano na década de 1980. Atualmente, Carminha representa a Bahia na Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA e integra o conselho da empresa Sementes Oilema, que atua com soja e sorgo. Na Faeb, defende a ampliação da capacitação de mulheres para fortalecer sua participação na produção rural e nos espaços de liderança. Ela já havia integrado a primeira edição da lista, em 2021, e retorna ao levantamento em 2026.
A segunda edição da lista “As 100 Mulheres Poderosas do Agro” reúne profissionais de diferentes regiões e áreas de atuação, considerando não apenas cargos de comando, mas também a capacidade de influenciar decisões, desenvolver tecnologias, transformar práticas produtivas e mobilizar pessoas. O reconhecimento das quatro mulheres ligadas a Mato Grosso do Sul evidencia a diversidade de caminhos de participação feminina no setor, que vão da pesquisa científica à formulação de políticas públicas e à articulação de lideranças institucionais. A visibilidade conferida pela Forbes deve estimular a continuidade de projetos de capacitação, ampliar a presença feminina em conselhos e comissões estratégicas e reforçar a importância do agronegócio como motor econômico do estado. Nos próximos meses, as homenageadas participarão de eventos setoriais, como a Jornada de Liderança Feminina no Agro, e deverão contribuir para a definição de agendas que promovam a sustentabilidade e a inclusão de mulheres nos processos decisórios do agro brasileiro.







