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Gaeco pede R$ 10 milhões por desvio de drogas envolvendo delegado e 22 acusados

Delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa é acusado de liderar esquema de desvio de drogas em MS

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul, protocolou nesta segunda‑feira (9) denúncia que solicita R$ 10 milhões em indenização por danos morais coletivos contra o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e mais 22 pessoas acusadas de desviar drogas apreendidas pela polícia.

A acusação parte da Operação Infiltrados, deflagrada em 24 de setembro, que resultou na prisão preventiva de Hoffman e na expedição de 24 mandados de prisão preventiva, 2 de prisão temporária e 38 de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.

O pedido de indenização não constitui multa nem bloqueio de bens; trata‑se de reparação que só será cobrada caso os acusados sejam condenados e o juiz aceite o valor na sentença final.

Denúncia e pedido

Segundo a denúncia, os acusados teriam usado a estrutura da Polícia Civil, especificamente a Delegacia de Narcóticos (Denar), para retirar parte das drogas apreendidas ou não registrar integralmente as quantidades apreendidas, repassando o volume desviado a traficantes ligados ao grupo.

Entre os 23 denunciados, Hoffman era chefe da Denar na época dos fatos. Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, é apontado como elo de ligação entre os policiais e os traficantes. A acusação menciona uma apreensão de cocaína em Bela Vista, em maio de 2024, com 643 kg registrados; o Gaeco estima que a carga original chegava a cerca de uma tonelada e que aproximadamente 400 kg foram desviados.

Além da indenização, a denúncia pede a condenação dos acusados pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e suspeita de interferência em investigação criminal.

Próximos passos

Hoffman foi preso em 24 de setembro e afastado compulsoriamente do cargo. Seu advogado, José Roberto Rodrigues da Rosa, afirmou que “quaisquer juízos sobre as provas são prematuros”, ressaltando a necessidade de conclusão das investigações antes de qualquer decisão judicial.

A denúncia segue para análise da Justiça. Caso o juiz a aceite, os 23 indivíduos passarão a ser réus e o pedido de R$ 10 milhões será incluído na sentença, caso haja condenação. Não foram divulgados detalhes sobre como o valor seria distribuído entre os acusados, nem se haveria bloqueio de bens para garantir o pagamento.

O Código de Processo Penal permite ao magistrado fixar, ao condenar, um valor mínimo de reparação pelos danos causados, sem a necessidade de ação civil separada. O Gaeco argumenta que o dano ultrapassa o volume de drogas desviadas, atingindo a confiança da população nas instituições de segurança pública e comprometendo a política estadual de repressão ao narcotráfico.

Até o momento, não há informação sobre a decisão da Justiça quanto à aceitação da denúncia ou ao destino dos recursos, caso a indenização seja confirmada. O caso segue em fase investigativa e judicial, com expectativa de desdobramentos que podem influenciar a percepção pública sobre a integridade das forças de segurança em Mato Grosso do Sul.

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