Mato Grosso do Sul vai lançar, em janeiro de 2027, um concurso público para professores que prevê 2 mil vagas e pode atrair até 80 mil inscritos, diz a presidente da Fetems, Deumeires Moraes, em entrevista à Massa FM.
Concurso 2027
Segundo a dirigente, o processo seletivo é uma das principais reivindicações da categoria e pode contribuir para reduzir a diferença entre os salários de professores efetivos e convocados. A Fetems acompanha a organização do concurso e defende a ampliação do quadro efetivo da rede estadual, buscando garantir estabilidade e direitos previdenciários aos profissionais.
Desafios salariais
Uma das principais pautas da Fetems é a disparidade salarial entre professores concursados e profissionais contratados temporariamente. Em 2019, a Assembleia Legislativa aprovou uma mudança que retirou os professores convocados da carreira, o que gerou polêmica e levou a uma ação judicial. A federação recorreu à Justiça para tentar garantir a isonomia salarial, mas perdeu a ação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Deumeires Moraes destacou que a realização de concursos públicos é um dos caminhos para enfrentar o problema, pois além de igualar salários, traz estabilidade, dignidade de carreira e segurança profissional. Ela ressaltou que profissionais com formação, função e carga horária equivalentes devem receber remuneração mais próxima, reforçando a necessidade de políticas públicas que valorizem a educação.
A Fetems também reivindica concurso público para trabalhadores administrativos das escolas, responsáveis por atividades essenciais ao funcionamento das unidades de ensino. A dirigente apontou avanços na carreira desses profissionais, com valorização da formação em nível superior, e destacou a parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o Instituto Federal e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) para ampliar a oferta de cursos tecnológicos.
Com 74 sindicatos filiados, a Fetems representa trabalhadores da educação das redes estadual e municipais, facilitando a mobilização e as negociações em defesa da categoria. A presença nos municípios permite que a federação atue de forma mais próxima às demandas locais, buscando soluções que atendam às necessidades dos professores e demais servidores.
Outro ponto destacado na entrevista foi a contribuição previdenciária dos servidores aposentados. Deumeires Moraes afirmou que a Fetems participa de mobilizações nacionais para questionar regras relacionadas à cobrança e acompanha uma ação no STF que pode ter impacto sobre o desconto previdenciário. A dirigente ressaltou que a valorização da educação envolve tanto os profissionais em atividade quanto os aposentados, que contribuíram para a construção dos direitos da categoria.
Deumeires também defendeu que a valorização dos educadores precisa incluir condições de trabalho, carreira e reconhecimento profissional, fatores que têm impacto direto na qualidade do ensino e na formação dos estudantes. Ela enfatizou que profissionais valorizados tendem a oferecer melhor trabalho, contribuindo para a melhoria do sistema educacional.
Para encorajar novas gerações, a presidente da Fetems pediu que estudantes universitários considerem a docência como profissão e pediu que os trabalhadores da educação mantenham a mobilização por melhores condições de trabalho e remuneração. A expectativa de 80 mil inscritos reflete o interesse crescente dos profissionais em buscar estabilidade e reconhecimento na carreira docente.
Acompanhar o desenrolar do concurso, previsto para janeiro de 2027, será crucial para avaliar se a proposta de 2 mil vagas atenderá às demandas de estabilidade e remuneração dos professores. A Fetems continuará acompanhando as negociações com o governo estadual e as decisões judiciais que podem influenciar o processo, enquanto a comunidade educacional aguarda os resultados que prometem transformar a realidade docente no estado.







