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Governo de MS aposta na retomada da UFN3, capaz de atender até 15% da demanda nacional de ureia

A possível reativação das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, aponta para uma nova etapa de expansão econômica na Costa Leste de Mato Grosso do Sul. O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette, informou que o cronograma em discussão prevê o reinício das atividades de construção em 2026, conclusão até o fim de 2028 e início da produção comercial em 2029.

As conversas entre o Governo do Estado e a Petrobras, proprietária do empreendimento, avançam após mais de uma década de paralisação. A estatal já comunicou ao mercado a intenção de retomar os trabalhos ainda neste ano, sinal que, segundo a administração estadual, reforça a viabilidade do plano. A planta é considerada estratégica para a cadeia de fertilizantes porque poderá produzir cerca de 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano, além de amônia, volume que representa entre 10% e 15% do consumo brasileiro.

Hoje o país importa aproximadamente 8 milhões de toneladas de ureia anualmente, o que coloca o agronegócio sob influência direta do mercado externo e de fatores geopolíticos. A entrada da UFN3 no circuito industrial promete aliviar parte dessa dependência, criando uma fonte interna de suprimento que reduz exposição a variações cambiais e choques de oferta.

O secretário destacou que os conflitos internacionais têm pressionado os preços dos fertilizantes, situação que reforça a urgência de ampliar a produção doméstica. Nas últimas temporadas, a cotação global da ureia subiu de forma expressiva, evidenciando vulnerabilidades de países que importam grandes volumes. Nesse cenário, a fábrica em Mato Grosso do Sul surge como componente relevante para a segurança alimentar e para a competitividade do produtor rural.

O abastecimento de gás natural, principal insumo da unidade, não é visto como obstáculo. Conforme explicou Falcette, o Estado encontra-se conectado a fornecedores da Bolívia e da Argentina e acompanha estudos para futura exploração de jazidas próprias. A avaliação é de que a malha de dutos existente, somada a potenciais fontes locais, garante capacidade de suprimento à operação industrial.

Impacto na geração de empregos

No pico da construção, a obra deverá mobilizar cerca de 8 mil postos de trabalho. Após a entrega, a expectativa é manter entre 4 mil e 5 mil empregos diretos e indiretos, distribuídos em atividades operacionais, manutenção e serviços de apoio. Esse contingente pode atenuar gargalos de mão de obra na região, mas também cria desafios imediatos de qualificação e atração de profissionais.

Dados da Semadesc indicam que Mato Grosso do Sul registrou aproximadamente 19 mil novos empregos formais ao longo de 2025 e mais de 3,5 mil contratações apenas em março de 2026. O ritmo de expansão industrial e agrícola pressiona o mercado de trabalho, exigindo programas de capacitação e incentivos para migração de trabalhadores de outros estados.

Efeito multiplicador em Três Lagoas

Além dos postos diretos, a instalação da UFN3 tende a atrair fornecedores de equipamentos, prestadores de serviço e empresas de logística. A prefeitura de Três Lagoas projeta aumento da arrecadação e diversificação da base produtiva, que já conta com forte presença do setor de celulose. A capacidade da planta é suficiente para cobrir toda a demanda estadual de ureia e gerar excedentes destinados a outros mercados internos ou externos, reduzindo custos de transporte para agricultores locais.

O entorno do empreendimento também se beneficia de investimentos em infraestrutura. A retomada da malha ferroviária regional, a implantação de um porto seco no município e o avanço da Rota Bioceânica, corredor rodoviário que ligará o Brasil aos portos do Pacífico, integram uma agenda de melhorias logísticas. A previsão do governo é de que a infraestrutura física da rota esteja próxima da conclusão até o fim de 2026, restando etapas de ajuste regulatório entre os países participantes.

Expansão de outros setores na Costa Leste

O movimento de capital direcionado à UFN3 ocorre simultaneamente à ampliação de florestas plantadas para a indústria de celulose e à expansão da citricultura em municípios vizinhos, como Água Clara, Bataguassu e Inocência. Esses projetos geram demanda por insumos, transporte, energia e mão de obra, fortalecendo a interdependência entre cadeias produtivas.

Para o governo estadual, a combinação de uma grande fábrica de fertilizantes, novos empreendimentos de base florestal e conexões logísticas em desenvolvimento consolida a Costa Leste como polo industrial estratégico. A expectativa é de que, nos próximos anos, a região apresente índices consistentes de crescimento, sustentados por investimentos públicos e privados.

Com mais de uma década de atraso, a UFN3 volta ao centro da política de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Caso o cronograma seja mantido, a unidade entrará em operação no início de 2029, contribuindo para reduzir a dependência externa de fertilizantes nitrogenados e para intensificar a atividade econômica local.

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