A Justiça de Dourados autorizou, em audiência de custódia realizada no domingo, 16, a liberação de três dos cinco detidos pelo homicídio do padre Alexsandro da Silva Lima. A decisão foi tomada após análise das circunstâncias da prisão e do material reunido pela Polícia Civil. Permanecem sob custódia um adolescente e Leanderson de Oliveira Júnior, de 18 anos, apontado pelos investigadores como autor dos golpes que resultaram na morte do religioso.
Entre os liberados estão duas adolescentes de 17 anos e João Victor Martins Vieira, de 18. O trio havia sido conduzido para a audiência depois de ser detido no decorrer das buscas que se seguiram ao desaparecimento do padre. O magistrado responsável entendeu que, no estágio atual do inquérito, não havia elementos suficientes para justificar a manutenção da prisão preventiva desses três suspeitos.
Com a decisão, o processo investigativo passa a concentrar-se principalmente no adolescente que segue apreendido e em Leanderson de Oliveira Júnior. A eles são atribuídas as ações diretas que culminaram no crime, ocorrido na região do Distrito Industrial de Dourados. A Polícia Civil informa que continua trabalhando para esclarecer todas as circunstâncias do caso, inclusive a motivação e a eventual participação de cada envolvido.
O padre Alexsandro estava desaparecido desde a sexta-feira, 14. No sábado, 15, familiares registraram boletim de ocorrência e iniciaram mobilização para localizá-lo. Ainda no mesmo dia, o corpo foi encontrado em uma área de mato no Distrito Industrial, apresentando ferimentos provocados por faca e martelo, conforme laudo preliminar da perícia. Os objetos que teriam sido utilizados no assassinato também foram recolhidos no local.
A partir da localização do corpo, equipes policiais realizaram diligências que levaram à identificação e à detenção dos cinco suspeitos. Todos foram encaminhados à delegacia de Dourados, onde prestaram depoimento antes de serem apresentados à audiência de custódia. Durante o procedimento judicial, o juiz avaliou a legalidade das prisões, bem como a necessidade de mantê-las em vigor.
A audiência de custódia, prevista pela legislação brasileira, tem como principal objetivo garantir que qualquer pessoa detida seja apresentada a um magistrado em até 24 horas. Nesse encontro, o juiz examina se houve irregularidades na prisão, verifica as condições em que ela foi efetuada e decide sobre a aplicação de medidas cautelares, que podem incluir liberdade provisória, fiança ou prisão preventiva.
No caso em análise, o magistrado considerou que, para três dos envolvidos, medidas menos gravosas eram suficientes neste momento da investigação. Ainda assim, eles continuam sujeitos a ser convocados sempre que houver necessidade de novos depoimentos ou reconhecimento de pessoas e objetos. Já o adolescente apreendido e Leanderson de Oliveira Júnior permanecem à disposição da Justiça, enquanto o inquérito prossegue para levantar provas adicionais.
De acordo com a Polícia Civil, a linha de investigação busca detalhar o relacionamento entre os envolvidos, a dinâmica do homicídio e possíveis fatores motivacionais. Os agentes trabalham na coleta de depoimentos, análise de imagens de câmeras de segurança da região e perícia em aparelhos eletrônicos apreendidos. A expectativa é que esses elementos contribuam para esclarecer o papel de cada suspeito no planejamento e na execução do crime.
Uma coletiva de imprensa foi agendada para a manhã desta segunda-feira, 17, na sede da Delegacia Regional de Dourados. Na ocasião, os responsáveis pelo inquérito pretendem divulgar informações atualizadas sobre a apuração, inclusive eventuais pedidos de novas diligências ou de prisões complementares. Representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública também devem acompanhar os esclarecimentos.
Enquanto isso, a comunidade local aguarda definições sobre o caso que abalou fiéis e moradores de Dourados. O padre Alexsandro, conhecido em paróquias da região, vinha exercendo atividades pastorais e sociais antes de desaparecer. A Diocese, que já manifestou pesar pela perda, acompanha o trabalho das autoridades e solicita que eventuais testemunhas colaborem com informações.
Até o momento, não foi divulgada previsão para o encerramento do inquérito. A conclusão dependerá da finalização dos laudos periciais, da coleta restante de depoimentos e da análise de todo o conteúdo digital apreendido. Apenas depois dessa etapa o Ministério Público decidirá se oferece denúncia e contra quais suspeitos pedirá a continuidade da ação penal.
Com três dos investigados em liberdade provisória e dois sob custódia, a apuração prossegue sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Dourados. Novos desdobramentos serão divulgados após a coletiva marcada para esta segunda-feira.









