Campo Grande (MS) – O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) e brigadas florestais voluntárias começaram a receber, nesta semana, viaturas e materiais de apoio destinados a ampliar a capacidade de resposta a incêndios que ameaçam o Pantanal e o Cerrado.
Quinze picapes e dois caminhões-tanque
O lote inicial contempla 15 picapes com tração 4×4 e dois caminhões Auto Bomba Tanque Florestal (ABTF). A frota será distribuída entre quartéis e bases operacionais localizadas em áreas estratégicas próximas a focos recorrentes de calor, permitindo deslocamento rápido até os primeiros pontos de ignição. Especialistas consideram a agilidade na fase inicial do combate decisiva para impedir que focos de menor porte evoluam para incêndios de grandes proporções.
Equipamentos de proteção e tecnologia
Além dos veículos, o pacote inclui Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), drones, sopradores e mochilas costais desenhadas para o trabalho dos combatentes de linha de frente. Esse conjunto de recursos integra o projeto Manejo Integrado do Fogo, coordenado nacionalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Investimento financiado pelo Fundo Amazônia
Os recursos empregados na aquisição das novas viaturas fazem parte de um investimento de R$ 150 milhões financiado pelo Fundo Amazônia, operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O montante foi direcionado a Mato Grosso do Sul e a outros cinco estados que registram períodos prolongados de estiagem no bioma Cerrado: Piauí, Bahia, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal. Parte da estrutura também reforça unidades da Força Nacional de Segurança Pública.
Distribuição nacional dos equipamentos
No total, a compra federal resultou na disponibilização de:
- 92 veículos operacionais, incluindo caminhonetes de intervenção rápida e caminhões-tanque florestais;
- 1.172 bombas costais para combate terrestre;
- 71 conjuntos móveis de combate com capacidade para 600 litros de água, projetados para instalação em picapes.
Base legal: Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo
A entrega do maquinário ocorre pouco depois da regulamentação, em julho de 2024, da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF). A norma estabelece ações conjuntas entre União, estados, municípios, proprietários rurais, instituições de pesquisa e brigadas voluntárias, buscando reduzir danos ambientais e socioeconômicos associados às queimadas.
Queda expressiva das áreas queimadas
Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), indicam retração de 91% na área queimada do Pantanal na temporada de 2025 em comparação com a média registrada entre 2017 e 2024. Em âmbito nacional, o recuo médio ficou em 39% no mesmo período. Apesar da redução, autoridades mantêm alerta devido à variabilidade climática e à persistência de incêndios provocados por ação humana.
Monitoramento contínuo por satélite
A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), responsável pela execução do programa, informou que o monitoramento via satélite continuará ativo nas próximas semanas. O acompanhamento permanente das imagens permite identificar pontos de calor praticamente em tempo real, facilitando o despacho imediato de equipes e equipamentos.
Desafios no Cerrado
No Cerrado, o ciclo anual de queimadas sazonais exige preparação constante das corporações. A vegetação seca favorece a propagação rápida do fogo, sobretudo em períodos de baixa umidade e ventos fortes. Com a chegada das novas viaturas, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul pretende ampliar a cobertura operacional em regiões remotas, onde o acesso é limitado e a infraestrutura de combate costuma ser escassa.
Integração entre corporações e voluntários
As brigadas florestais voluntárias desempenham papel complementar ao trabalho militar, sobretudo em propriedades rurais e unidades de conservação. A distribuição de equipamentos de proteção e ferramentas adequadas busca padronizar procedimentos e aumentar a segurança dos voluntários, que muitas vezes são os primeiros a atuar antes da chegada de reforços.
Próximos passos
Com a frota já em processo de entrega, as equipes passarão por treinamentos específicos para operar os novos caminhões-tanque e demais recursos. A expectativa é de que todo o conjunto esteja plenamente em serviço antes do auge do período crítico de queimadas no segundo semestre. Autoridades estaduais e federais avaliam que o reforço logístico deve contribuir para manter, ou até ampliar, a tendência de redução das áreas afetadas pelo fogo observada no último ano.








