A atenção à saúde não deve aguardar o aparecimento de sintomas ou diagnósticos. Para a médica Bruna Sartori, da Clínica Clarhe, o conceito de medicina preventiva se inicia ainda durante a gestação e precisa acompanhar o indivíduo em todas as fases da vida. A profissional apresentou essa perspectiva em entrevista ao programa “Mulher Entende Mulher”, da Rádio Massa FM Campo Grande, na capital sul-mato-grossense.
Segundo Sartori, o período pré-natal é o primeiro passo para reduzir riscos futuros, pois fatores como alimentação materna, condições ambientais e acompanhamento adequado influenciam o desenvolvimento do bebê. A médica considera que cuidar da saúde desde a formação embrionária cria bases sólidas para uma vida adulta com menor incidência de doenças crônicas.
Com esse ponto de partida, a especialista defende um monitoramento contínuo que contemple avaliações regulares, detecção precoce de alterações clínicas e intervenções orientadas a perfis individuais. Ela destaca que, ao adotar medidas antes do surgimento de qualquer anormalidade, o paciente tem mais chances de manter qualidade de vida e evitar tratamentos invasivos no futuro.
O olhar para fatores de risco em longo prazo, segundo a médica, supera a abordagem tradicional focada apenas na doença instalada. “Hoje a gente entende que é preciso projetar o futuro e agir no presente”, resumiu durante a conversa na emissora. Para ela, planejar estratégias preventivas envolve tanto exames laboratoriais convencionais quanto tecnologias que ampliam a compreensão sobre predisposições genéticas.
Precisão individual como ferramenta de prevenção
Nesse contexto, Sartori salientou o avanço da chamada medicina de precisão. O modelo recorre a análises genômicas, mapeamento de marcadores biológicos e interpretação integrada de dados para personalizar condutas médicas. Dessa forma, o tratamento ou a orientação preventiva deixa de ser padronizado e passa a considerar particularidades de cada organismo.
Entre os exemplos citados pela profissional estão testes capazes de indicar propensão a doenças cardiovasculares, alterações hormonais e determinados tipos de câncer. Ao conhecer essas vulnerabilidades com antecedência, é possível adotar medidas direcionadas, como ajustes nutricionais, rotina de atividade física específica, acompanhamento endócrino ou rastreamento oncológico mais frequente.
Para além dos exames genéticos, a medicina de precisão também avalia fatores metabólicos, resposta a medicações e estilo de vida. Conforme explicado pela médica, esse conjunto de informações permite definir rotinas de check-ups, estabelecer metas de prevenção e evitar condutas genéricas que, por vezes, não se adequam à realidade do paciente.
Estrutura integrada em Campo Grande
Recém-inaugurada na capital de Mato Grosso do Sul, a Clínica Clarhe oferece serviços alinhados a essa filosofia de atenção integral. O espaço reúne especialidades como emagrecimento clínico, dermatologia estética, medicina preventiva, medicina de precisão e acompanhamento multidisciplinar. A proposta é centralizar recursos que facilitem a construção de planos individualizados e acompanhamento contínuo.
Sartori explicou que o trabalho na unidade parte de uma avaliação detalhada, incluindo histórico familiar, hábitos cotidianos e mapeamento de eventuais deficiências nutricionais ou hormonais. Com esses dados, profissionais definem metas progressivas, revisam resultados periodicamente e ajustam estratégias. A médica afirma que, ao envolver paciente e equipe em um mesmo plano, aumentam as chances de sucesso na prevenção e na manutenção do bem-estar.
A demanda por esse tipo de serviço tem crescido, observa a especialista, em razão de maior acesso à informação e à tecnologia. Pessoas que antes procuravam o consultório apenas diante de sintomas passam a buscar orientação preventiva para reduzir custos futuros, potencializar desempenho físico ou simplesmente prolongar o tempo de vida saudável.
Importância de conscientização permanente
Apesar dos avanços, Sartori reconhece que ainda há desafios culturais. Muitos indivíduos, segundo ela, mantêm a ideia de que consultar um médico só é necessário quando surge dor ou desconforto evidente. A médica defende campanhas de educação em saúde que incentivem consultas regulares, realização de exames de rotina apropriados para cada faixa etária e adoção de hábitos protetores, como alimentação balanceada, prática de exercícios e sono adequado.
Ela acrescenta que o sistema de saúde, tanto público quanto privado, se beneficia economicamente quando prioriza a prevenção. Custos com internações, procedimentos de alta complexidade e licenças médicas são potencialmente reduzidos quando doenças são evitadas ou diagnosticadas em estágios iniciais. Além disso, o próprio paciente ganha em produtividade, autonomia e qualidade de vida.
Ao ressaltar que a medicina preventiva “começa antes da gente sequer nascer”, Bruna Sartori reforça a necessidade de olhar para a saúde como processo contínuo. De acordo com a médica, incorporar práticas preventivas desde o pré-natal até a terceira idade contribui para populações mais saudáveis e para um sistema de saúde mais sustentável.








