Mato Grosso do Sul não registra casos confirmados de sarampo, mas a Secretaria de Estado de Saúde (SES) intensificou a vigilância e a campanha de vacinação após o alerta do Ministério da Saúde sobre risco de reintrodução do vírus no país.
Em 2024, a SES recebeu 24 notificações de suspeita de sarampo. Destas, 21 foram descartadas após investigação e três permanecem em análise, reforçando a necessidade de manter a população imunizada.
“A vacinação é a principal medida de prevenção e é fundamental para evitar a reintrodução e a circulação do vírus”, afirmou a secretaria, destacando que a imunização protege contra surtos importados.
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, segue o calendário nacional. Crianças devem receber duas doses: a primeira aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses.
Para jovens e adultos de 1 a 29 anos, a recomendação é comprovar duas doses no registro vacinal. Entre 30 e 59 anos, basta ter ao menos uma dose comprovada; caso contrário, a aplicação de uma dose adicional é indicada. Pessoas com 60 anos ou mais não têm vacinação de rotina, mas podem receber a dose em situações específicas, conforme avaliação das autoridades.
A SES orienta que crianças, adolescentes e adultos verifiquem a caderneta de vacinação nas unidades de saúde e completem o esquema, se necessário. O serviço é gratuito pelo SUS.
O alerta também inclui recomendações para quem planeja viagens internacionais. Como o sarampo ainda circula em diversos países, viajantes devem conferir a situação vacinal antes da partida e atualizar a caderneta, se houver lacunas.
O sarampo é altamente contagioso e pode causar complicações graves, como pneumonia, encefalite e até óbito, sobretudo em crianças pequenas, gestantes e pessoas com imunidade comprometida.
Qualquer pessoa que apresente febre associada a manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza ou conjuntivite deve procurar imediatamente uma unidade de saúde, segundo a estratégia de vigilância da SES.
Vigilância e vacinação
A Secretaria reforça que a identificação rápida de sintomas e a investigação de casos suspeitos são essenciais para impedir a circulação do vírus. A busca ativa, o rastreamento de contatos e a verificação de registros vacinais são parte do protocolo adotado desde o início do alerta nacional.
Contexto nacional
O Ministério da Saúde emitiu o alerta em meio ao aumento de casos nos Estados Unidos, Peru, Guatemala, México e Canadá. Nos EUA, o número de casos atingiu o maior patamar em mais de três décadas, com mais de 90% dos infectados não vacinados. No Brasil, até a semana passada, foram registrados 52 casos, todos importados, concentrando‑se 41 em São Paulo, além de registros no Rio de Janeiro e Amazonas.
Embora o país ainda não apresente transmissão sustentada, o Brasil enfrentou mais de 20 mil casos em 2019, o que levou à perda da certificação de eliminação da doença. O avanço da vacinação permitiu a recuperação do certificado nos anos seguintes.
Em 2024, o Ministério da Saúde realizou mobilizações para ampliar a cobertura vacinal, incluindo a estratégia da “dose zero” – aplicação de uma dose em bebês a partir de seis meses em situações de risco específico. Essa dose não substitui as duas doses previstas no calendário regular, que iniciam aos 12 meses.
Para Mato Grosso do Sul, manter a vacinação em dia é a principal forma de impedir que casos importados evoluam para transmissão local. A SES continuará monitorando os suspeitos, reforçando a comunicação com a população e garantindo o acesso gratuito à tríplice viral nas unidades de saúde.








