Mato Grosso do Sul terminou o mês de abril sob alerta máximo na rede de vigilância epidemiológica, após registrar 8.894 casos prováveis de chikungunya, 3.997 confirmações e 14 óbitos computados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). As informações constam no boletim da 16ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) nesta quarta-feira (30).
O avanço da doença pressiona principalmente o município de Dourados, considerado epicentro do surto em 2026. A cidade acumula 7.371 notificações, 5.271 casos prováveis e 2.755 confirmações. Desse total, 2.516 ocorrências ainda dependem de conclusão de diagnóstico laboratorial ou clínico. Atualmente, 35 pacientes permanecem internados em unidades hospitalares locais.
Mortes concentradas em Dourados
Dourados confirmou a nona morte relacionada à chikungunya. A vítima mais recente, indígena de 29 anos residente na Aldeia Bororó, apresentou sintomas em 19 de abril e morreu no dia 25 no Hospital da Vida. Oito das nove mortes registradas na cidade envolvem pessoas indígenas. Além de Dourados, os óbitos confirmados no Estado ocorreram em Bonito, Jardim e Fátima do Sul, enquanto outros dois casos seguem em investigação.
O boletim estadual indica que a maior parte das vítimas fatais possuía comorbidades preexistentes, fator considerado de risco para evolução clínica grave. Entre os adoecimentos confirmados, 52 ocorreram em gestantes, grupo classificado como prioritário para monitoramento intensivo.
Reforço emergencial de recursos
Para conter a escalada de casos, o Ministério da Saúde liberou no fim de março um aporte emergencial de R$ 900 mil destinado a Dourados. O recurso financia ações de vigilância, assistência e controle vetorial, incluindo aquisição de insumos, apoio às equipes de campo e ampliação da capacidade de atendimento.
Dengue mantém nível inferior, mas preocupa
Enquanto a chikungunya avança, o Estado registra 4.779 casos prováveis e 655 confirmações de dengue até a 16ª semana epidemiológica. Não há mortes confirmadas nem investigações de óbito em curso para essa arbovirose. Mesmo assim, autoridades de saúde monitoram aumento pontual em alguns municípios.
Em Três Lagoas, por exemplo, o boletim municipal aponta 212 notificações de dengue desde janeiro, com 21 confirmações laboratoriais. Nos últimos 30 dias, foram registrados 45 casos suspeitos, sinal de circulação viral crescente. Quatro amostras analisadas no município identificaram o sorotipo DENV-3 entre 102 testes de isolamento viral realizados. A cidade também soma nove casos confirmados de chikungunya em 2026.
Outras localidades, como Nioaque, Pedro Gomes, Santa Rita do Pardo, Corumbá, Amambai, Ladário, Bonito, Jardim, Chapadão do Sul e Três Lagoas, apresentaram baixa incidência de casos de dengue nos últimos 14 dias, segundo o boletim estadual.
Vacinação prioriza crianças e adolescentes
A vacinação contra a dengue segue como principal estratégia de prevenção de formas graves e redução de hospitalizações. Mato Grosso do Sul recebeu 241.030 doses enviadas pelo Ministério da Saúde e aplicou 223.322, o que corresponde a cerca de 93% do total disponível. O esquema vacinal prevê duas aplicações com intervalo de três meses para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos — faixa etária que concentra maior número de internações entre pessoas de 6 a 16 anos.
Medidas de controle do Aedes aegypti
Com a manutenção de condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito transmissor, a SES reforça que o controle vetorial depende da colaboração contínua da população. Entre as principais recomendações estão:
- Manter caixas-d’água e reservatórios totalmente vedados;
- Eliminar recipientes que possam acumular água parada em quintais ou áreas internas;
- Limpar periodicamente calhas, lajes e bandejas de ar-condicionado;
- Armazenar pneus em locais cobertos e protegidos da chuva;
- Colocar areia nos pratos de vasos de plantas;
- Descartar embalagens e garrafas sem uso de forma correta;
- Higienizar bandejas de geladeiras.
Orientação para sintomas
A secretaria alerta ainda para os riscos da automedicação. Diante de sintomas como febre alta, dores intensas no corpo ou articulações, manchas na pele e mal-estar, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação clínica e coleta de exames, evitando complicações.
Com 14 mortes confirmadas e quase 9 mil casos prováveis de chikungunya registrados em quatro meses, Mato Grosso do Sul mantém mobilização em todos os níveis do sistema de saúde para reduzir transmissões, fortalecer a assistência e evitar novos óbitos, especialmente nos municípios que concentram maior número de ocorrências.








