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MS tem 5ª maior taxa de assédio eleitoral do país com 67 denúncias

Proporção de queixas por cem mil eleitores no Estado supera em 70% a média nacional - Foto: Divulgação/MPMS

O encerramento do segundo turno das eleições no último domingo (25) provocou um aumento significativo nas denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Um levantamento realizado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), fechado às 15h55 desta quarta-feira (28), revela que o Brasil registrou 3.080 notificações formais sobre o tema em 2026.

Nesse cenário, Mato Grosso do Sul ocupa a quinta posição no ranking nacional quando o volume de queixas é proporcional ao número de eleitores aptos. O estado contabiliza 67 registros para uma base de aproximadamente 2,02 milhões de cidadãos com direito a voto.

Essa proporção resulta em 3,31 denúncias para cada cem mil eleitores. O índice sul-mato-grossense é 70% superior à média do país, que está em 1,95 por cem mil habitantes aptos a votar.

Ranking nacional e regional

Na classificação geral por contingente eleitoral, o Distrito Federal lidera com 5,28 denúncias por cem mil eleitores. O Amapá aparece em segundo lugar (3,81), seguido por Mato Grosso (3,75) e Paraná (3,52). No recorte da região Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul fica em terceiro, atrás apenas do DF e de Mato Grosso.

Goiás, também da região, registrou 2,09 queixas a cada cem mil votantes. Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o total de ocorrências com 575 casos. No entanto, devido à sua base eleitoral superior a 34 milhões de pessoas, a taxa paulista cai para a 18ª posição relativa, com 1,69 denúncia por cem mil eleitores.

O indicador proporcional de Mato Grosso do Sul é quase o dobro do registrado entre os paulistas. A curva de notificações apresentou uma aceleração acentuada a partir da noite de domingo. Até o fim do primeiro turno, o MPT havia apurado 991 registros. Durante a campanha do segundo turno, foram anexados 946 novos procedimentos.

Explosão de queixas no pós-pleito

Em menos de três dias após a confirmação do resultado eleitoral, 1.143 novas ocorrências foram formalizadas no país. Esse montante já corresponde a 37,1% de todas as queixas trabalhistas ligadas ao tema em 2026.

Essa explosão de queixas decorre diretamente de mensagens em aplicativos corporativos, publicações em redes sociais e incentivos de influenciadores e empresários. Segundo o MPT, houve pregações de boicotes, ameaças de corte no quadro de funcionários e demissões motivadas pelo voto.

A tensão ganhou contornos particulares em Mato Grosso do Sul, onde a maioria dos eleitores escolheu Flávio Bolsonaro (PL), em contraste com a vitória geral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As manifestações retaliatórias violam as garantias constitucionais da liberdade de consciência e ferem a legislação trabalhista.

O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, destacou que demissões motivadas por preferências ideológicas são nulas. Ele afirmou que o empresário é dono do seu negócio e não do voto do seu empregado, e que demitir por convicção política é ilegal e será alvo de atuação perante a Justiça do Trabalho.

Trabalhadores que sofreram coação, ameaças de desligamento ou dispensas em represália ao voto podem registrar a ocorrência no portal mpt.mp.br. O envio é eletrônico e o sigilo dos dados do denunciante é resguardado por lei.

Para assegurar a instrução técnica dos inquéritos civis públicos e a cobrança de reparações financeiras por dano moral, a orientação dos procuradores é armazenar evidências imediatas. Entre os materiais recomendados estão capturas de tela com conversas, postagens públicas em redes de chefias, gravações em áudio ou vídeo e a identificação de testemunhas que acompanharam os episódios no local de trabalho.