Mato Grosso do Sul chega às urnas neste domingo (4) em um cenário de transformação estrutural. Quase cinco décadas após a criação do Estado, a população aumentou e a economia ganhou novas dimensões. A indústria passou a ocupar espaço central na geração de riqueza, empregos e exportações. Nesse contexto, 2.024.884 eleitores estão aptos a votar em todo o território sul-mato-grossense.
Nas urnas, os cidadãos escolherão o presidente da República, o governador e dois senadores. Também serão definidos oito deputados federais e 24 deputados estaduais. A votação determinará a composição do Legislativo estadual e a representação do Estado em Brasília. A escolha ocorre em um contexto onde o peso econômico e demográfico de MS já não é o mesmo de décadas atrás.
Crescimento demográfico e econômico
Os dados oficiais ajudam a dimensionar essa mudança. O Censo de 2022 registrou 2.757.013 habitantes no Estado. A estimativa mais recente do IBGE aponta para 2.946.317 moradores em 2026. Isso representa um aumento de quase 190 mil pessoas em apenas quatro anos. O crescimento populacional acompanha uma mudança significativa no perfil econômico local.
Em 2023, o Produto Interno Bruto de Mato Grosso do Sul alcançou R$ 184,4 bilhões, segundo o IBGE. Esse resultado coloca o Estado entre as maiores economias do país. A atividade produtiva sul-mato-grossense atingiu uma dimensão que diversificou a pauta econômica. O agronegócio continua como base fundamental, mas a indústria ganhou força.
A expansão das cadeias de celulose e papel foi um dos principais vetores de crescimento nos últimos anos. Mineração, energia, alimentos e transformação industrial também integram com maior força a economia estadual. O comércio exterior reflete essa expansão. Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com US$ 10,7 bilhões em exportações, o maior valor já registrado pelo Estado.
Celulose, soja e carne bovina estiveram entre os principais produtos da pauta exportadora. Três Lagoas está no centro dessa transformação industrial. O município manteve em 2025 a liderança entre os exportadores de Mato Grosso do Sul. A cidade respondeu por 19,68% das vendas externas do Estado, impulsionada principalmente pela indústria de celulose.
Ribas do Rio Pardo apareceu na sequência, com forte participação da atividade florestal e industrial. O crescimento dos investimentos mudou a dinâmica de regiões inteiras, especialmente na Costa Leste. Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo passaram a concentrar as maiores fábricas de celulose do país. Essa concentração alterou a geografia econômica e social dessas áreas.
Desafios para o próximo ciclo
Um Estado maior economicamente e mais populoso enfrenta demandas mais complexas. O crescimento da população e da atividade industrial aumenta a pressão sobre a infraestrutura. Há uma necessidade urgente de expansão em logística, energia, rodovias e ferrovias. Setores como saúde, educação, segurança e qualificação profissional também sofrem pressão direta.
A expansão econômica exige capacidade para escoar a produção e atender novos empreendimentos. Em 2025, além do recorde nas exportações, Três Lagoas manteve a liderança estadual nas vendas externas. Ribas do Rio Pardo avançou entre os principais municípios exportadores. Essas questões ultrapassam um único mandato e estarão no ambiente político dos próximos anos.
A eleição deste domingo ganha dimensão para além da escolha do governador. O eleitor definirá a composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Serão eleitos 24 deputados estaduais, responsáveis por legislar sobre as questões do Estado. A Assembleia Legislativa foi instalada junto com o novo Estado, em 1979. Sua primeira composição foi formada por 18 deputados constituintes, eleitos em 1978.
Esses parlamentares tomaram posse em 1º de janeiro de 1979 e participaram da elaboração da primeira Constituição de Mato Grosso do Sul. Após a promulgação da Carta, em junho daquele ano, a Assembleia passou a exercer oficialmente o Poder Legislativo estadual. Hoje, o órgão é formado por 24 parlamentares, com mandato de quatro anos. Suas atribuições incluem a elaboração de leis, análise de vetos, discussão do orçamento e fiscalização do Executivo.
A representação federal também é crucial para o desenvolvimento. Mato Grosso do Sul elegerá oito deputados federais e dois senadores. A bancada federal participa das discussões de projetos nacionais e do Orçamento da União. Decisões em Brasília afetam diretamente Estados e municípios. Para um Estado que depende de produção agropecuária, indústria e exportações, a representação federal é vital.
Temas como rodovias, ferrovias, energia, saneamento, saúde e investimentos públicos dependem da atuação dos representantes em Brasília. Os deputados federais representam o Estado na Câmara dos Deputados. Os senadores representam MS no Senado, onde cada unidade da Federação possui três cadeiras, independentemente do tamanho da população. Nas eleições de 2026, duas dessas três vagas estarão em disputa. A escolha de domingo definirá quem defenderá os interesses de um Estado em plena expansão.







