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Oleoplan anuncia investimento de R$ 800 milhões para ampliar produção de biodiesel e reforça foco no Centro-Oeste

A Óleos Vegetais Planalto (Oleoplan), empresa gaúcha com mais de 40 anos de atuação no segmento de biocombustíveis, protocolou nesta sexta-feira (2) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um programa de investimentos que totaliza R$ 800 milhões. O plano marca o início de um novo ciclo de expansão industrial previsto para 2026 e será inaugurado com uma emissão de debêntures de R$ 200 milhões, destinada a financiar as primeiras etapas do projeto.

Segundo o documento encaminhado ao regulador, o montante será aplicado em três frentes principais: instalação de unidades produtivas em estados onde a companhia ainda não opera, modernização de uma planta no Rio Grande do Sul e participação em três empreendimentos no Mato Grosso do Sul. A estratégia prevê integração logística, verticalização das cadeias de suprimento e ampliação da presença geográfica para atender à crescente demanda por biodiesel no país.

Embora já possua operações no Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, a Oleoplan busca aumentar a capilaridade por meio de novas fábricas e de maior proximidade com polos agrícolas. O foco no Centro-Oeste contempla a expansão da base de fornecedores de soja, principal matéria-prima utilizada na produção de biodiesel, além do aproveitamento de incentivos fiscais disponíveis na região.

Entre os projetos detalhados, destaca-se o Projeto Usina Oleoplan MT, que prevê a construção de uma unidade de esmagamento de soja integrada à planta de biodiesel localizada em Lucas do Rio Verde (MT). Essa planta foi adquirida em 2024 da Green Ventures, braço de biodiesel da Fiagril, e iniciou operações em 2025. Com a integração vertical, a empresa espera reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência no processamento da oleaginosa, elevando a competitividade no mercado interno.

Atualmente, a Oleoplan opera cinco usinas de biodiesel no Brasil, com capacidade combinada de aproximadamente 4,56 mil metros cúbicos por dia, o equivalente a cerca de 1,67 bilhão de litros ao ano. Esses números posicionam a companhia entre as maiores produtoras nacionais do combustível renovável, segmento que vem registrando expansão impulsionada por políticas de descarbonização e pela elevação gradual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil.

Analistas do setor energético avaliam que aportes da ordem de R$ 800 milhões confirmam o otimismo do mercado em relação ao potencial do biocombustível no curto e médio prazos. A expectativa é de que o consumo doméstico continue a crescer em função do aumento do percentual de biodiesel no diesel vendido nos postos e da adoção de metas ambientais mais rígidas por empresas de transporte e logística.

De acordo com o planejamento estratégico, a emissão inicial de debêntures funcionará como instrumento de captação para o cronograma mais imediato, que inclui estudos de viabilidade, aquisição de equipamentos e adaptações em infraestrutura. Novas séries de títulos ou outras modalidades de financiamento poderão ser lançadas conforme o avanço das obras e a necessidade de capital adicional.

Além da expansão física das plantas, a companhia destaca a modernização da unidade gaúcha, onde serão instalados sistemas de automação e tecnologias de reaproveitamento de resíduos. A meta é elevar a eficiência energética, reduzir custos operacionais e diminuir a pegada de carbono dos processos industriais.

A ampliação no Mato Grosso do Sul, por sua vez, envolve três projetos em fase de prospecção. O estado foi escolhido pela localização estratégica próxima a importantes corredores logísticos e pela oferta de grãos, o que facilita o escoamento da produção e o abastecimento de matéria-prima. A instalação de novos empreendimentos na região deve criar sinergias com as operações existentes em outros estados do Centro-Oeste, reforçando a malha de fornecimento de óleo vegetal e biodiesel.

Com o movimento anunciado, a Oleoplan pretende consolidar-se como referência em processamento integrado de soja e produção de biocombustíveis, alinhando-se às metas de sustentabilidade do setor. A empresa projeta ganhos de escala, redução de custos e segurança no suprimento de insumos, além de contribuir para o avanço da matriz energética renovável no Brasil.