Uma ação integrada de fiscalização realizada em Mundo Novo mobilizou, ao longo do dia, profissionais da Polícia Civil, peritos criminais e equipes técnicas da concessionária Energisa para combater o furto de energia elétrica no município. O trabalho resultou no mapeamento de 34 pontos com indícios de irregularidades e na condução de seis pessoas à Delegacia de Polícia local para prestar esclarecimentos.
A força-tarefa envolveu 15 equipes da Energisa, três coordenadores, três equipes da Polícia Civil, um delegado e peritos criminais. Segundo a corporação, a atuação conjunta permitiu conferir agilidade às vistorias, registrar evidências técnicas nos locais suspeitos e adotar providências imediatas quando foram identificadas ligações clandestinas ou outras formas de fraude na medição do consumo.
O delegado titular de Mundo Novo, Cleber Dorneles, classificou a integração entre polícia, perícia e concessionária como determinante para a eficiência das verificações. De acordo com o responsável pela investigação, a metodologia adotada reúne conhecimento técnico sobre as redes de distribuição e os procedimentos legais necessários para caracterizar o delito previsto no Código Penal.
Além de configurar crime, o furto de energia provoca riscos diretos à segurança da população e prejuízos coletivos. Instalações clandestinas podem causar choques elétricos, incêndios e interrupções no fornecimento, afetando inclusive usuários que pagam regularmente suas contas. Do ponto de vista financeiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) estima que perdas não técnicas — categoria que engloba furtos e fraudes — superam R$ 10 bilhões por ano em todo o país. Esses valores impactam os investimentos na rede e acabam distribuídos na tarifa paga por todos os consumidores.
Durante as vistorias em Mundo Novo, técnicos analisaram medidores, cabos, transformadores e componentes de segurança. Sempre que surgia indício de manipulação, era feito o registro fotográfico, a medição de tensão e a elaboração de laudo preliminar. Com base nessas informações, a polícia avaliava se cabia a autuação em flagrante ou a abertura de inquérito para aprofundar a apuração.
Segundo a Energisa, cada ponto irregular confirmado passa por processo administrativo para cobrança dos valores devidos e regularização da ligação. Já a responsabilidade criminal fica a cargo da Polícia Civil, que adota as medidas cabíveis, como representação por prisão preventiva ou requisição de perícias complementares, conforme a gravidade de cada caso.
A operação faz parte de um calendário contínuo de fiscalizações em Mato Grosso do Sul. A Polícia Civil informa que denúncias sobre fraudes na medição de energia podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 0800 722 7272, canal mantido pela concessionária para atender a população. Esse mecanismo, segundo a corporação, contribui para direcionar as equipes de investigação e reduzir os riscos associados ao uso irregular da rede elétrica.
Para a Energisa, a ação em Mundo Novo reforça a necessidade de conscientização sobre os impactos do furto de energia. Além das perdas financeiras, o fornecimento pode ficar instável quando a rede opera acima da capacidade projetada em razão de ligações clandestinas. Em casos extremos, o superaquecimento de cabos e transformadores provoca danos estruturais, exigindo reparos emergenciais que geram custos adicionais.
Os seis suspeitos conduzidos à delegacia foram ouvidos e liberados, conforme previsão legal, enquanto os inquéritos seguem em curso. Dependendo das conclusões periciais, eles podem responder por furto qualificado, cuja pena varia de um a oito anos de reclusão, além de multa. Se houver comprovação de perigo para a coletividade, o enquadramento pode incluir agravantes relacionadas à exposição da vida ou da saúde de terceiros.
A Polícia Civil ressalta que novas etapas da fiscalização estão previstas para outras localidades do Estado. O foco permanece no monitoramento de áreas consideradas críticas pelo alto índice de perdas não técnicas. A estratégia combina análise de consumo, cruzamento de dados cadastrais e denúncias recebidas pelo canal oficial, resultando na elaboração de mapas que orientam a atuação das equipes de campo.
Em paralelo, a concessionária planeja intensificar campanhas educativas para orientar consumidores sobre os riscos do furto de energia e as formas corretas de solicitar serviços. A empresa reforça que qualquer intervenção na rede deve ser executada por profissionais autorizados, seguindo normas técnicas e de segurança.
Com os 34 pontos irregulares identificados em Mundo Novo, as autoridades esperam reduzir a sobrecarga na rede local e melhorar a qualidade do fornecimento. A expectativa é de que a ação sirva de modelo para operações similares, ampliando a cooperação entre policiais, peritos e técnicos do setor elétrico em toda a região.









