Uma ação conjunta das forças de segurança em Costa Rica, no norte de Mato Grosso do Sul, terminou com a morte de dois suspeitos e a apreensão de armas, munições e drogas na noite de segunda-feira, 18 de março. A intervenção ocorreu na rodovia MS-223 e fez parte do programa federal Brasil Contra o Crime Organizado, inserido na Operação Protetor das Divisas, que concentra esforços no combate a facções criminosas atuantes em áreas de fronteira e em rotas estratégicas para o tráfico.
De acordo com informações repassadas pelas equipes envolvidas, policiais receberam a indicação de que integrantes de uma organização criminosa retornavam de Campo Grande transportando armamento destinado a possíveis ataques na região de Costa Rica. O município tem registrado disputas frequentes entre grupos rivais, o que motivou o reforço nas fiscalizações de estradas e acessos utilizados pelos criminosos.
Com base no alerta, agentes montaram ponto de bloqueio na MS-223. Por volta da noite de segunda-feira, um veículo suspeito se aproximou do local. A tentativa de abordagem iniciou-se quando os policiais ordenaram que o carro parasse para averiguação. Segundo o relato da ocorrência, ainda antes da revista, os ocupantes desceram do automóvel portando armas de fogo e direcionaram-nas contra os agentes. Diante da ameaça, as equipes reagiram e dispararam. Ambos os suspeitos foram atingidos.
Após o confronto, os dois feridos receberam socorro imediato e foram encaminhados a uma unidade de saúde do município. Apesar do atendimento médico, nenhum deles sobreviveu. Um dos mortos tinha 32 anos; o outro era adolescente de 17 anos. A identidade de ambos não foi divulgada oficialmente, mas a polícia informou que os dois possuíam antecedentes criminais.
No interior do veículo e com os suspeitos, foram recolhidos um revólver calibre 38, uma pistola de calibre 9 milímetros, diversas munições compatíveis com as armas e cerca de 732 gramas de maconha. Todo o material foi catalogado e enviado para análise pericial, procedimento necessário antes do encaminhamento definitivo às autoridades judiciais.
Os investigadores acrescentaram que o menor de idade mantinha vínculo com uma facção que atua no estado e fora dele. Há indícios de que ele participava ativamente de atividades logísticas da organização, incluindo o transporte de armas e entorpecentes. A suspeita reforça a linha de apuração de que o grupo planejava intensificar ataques motivados pela rivalidade entre quadrilhas que disputam o controle do tráfico e de outras práticas ilícitas em cidades próximas à divisa de Mato Grosso do Sul com outros estados.
Autoridades de segurança pública destacam que a Operação Protetor das Divisas se estende a vários pontos estratégicos do território sul-mato-grossense, com apoio de unidades especializadas, entre elas o Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras). O objetivo é sufocar rotas usadas para escoar drogas, armas e demais produtos ilícitos, bem como reduzir a influência de facções nacionais e regionais.
Desde o início da operação, diversas barreiras fixas e volantes vêm sendo instaladas em rodovias estaduais e federais, resultando em apreensões de armamento, cargas de entorpecentes e veículos irregularizados. Segundo dados preliminares, a intensificação da presença policial tem contribuído para a queda nos indicadores de crimes violentos em municípios do entorno, embora os confrontos armados sejam apontados como reflexo da resistência armada de integrantes de organizações criminosas.
O caso registrado em Costa Rica foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil local, que ficará responsável pela investigação formal. Entre os pontos a serem apurados estão a origem das armas, o itinerário percorrido pelos suspeitos desde Campo Grande e a eventual participação de outros integrantes da facção. As equipes também analisam imagens de câmeras localizadas ao longo da rodovia, bem como depoimentos de testemunhas e registros de comunicação entre celulares apreendidos após o confronto.
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado informou que todas as ações seguiram os protocolos operacionais padrão, incluindo o uso gradual da força e o acionamento imediato de socorro aos feridos. Um inquérito interno foi aberto para avaliar a dinâmica do episódio, procedimento adotado em qualquer ocorrência com resultado letal envolvendo policiais.
Até a conclusão das investigações, o armamento e os entorpecentes ficarão sob custódia da perícia. Caso seja confirmada a participação de outros envolvidos, novos mandados de busca ou prisão poderão ser expedidos pela Justiça. As autoridades reforçam que a operação permanecerá ativa na região, uma vez que as informações de inteligência apontam para a continuidade da disputa entre facções pelo controle de pontos estratégicos de distribuição de drogas e armas no interior do estado.
Enquanto isso, equipes da Polícia Militar, Polícia Civil e forças federais seguem realizando patrulhamento preventivo em trechos considerados sensíveis das rodovias que cortam Costa Rica e municípios vizinhos. O objetivo declarado é inibir novos deslocamentos de criminosos armados, garantindo a segurança de moradores e motoristas que utilizam a MS-223 e outras rotas da região norte de Mato Grosso do Sul.








