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Pesquisa aponta que usuários de ônibus perdem 44 dias por ano em deslocamentos em Campo Grande

O transporte coletivo em Campo Grande impõe aos passageiros uma rotina de longas esperas e trajetos prolongados. Levantamento realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL/CG) e pelo SPC Brasil, entre 27 e 30 de abril de 2026, indica que 63% dos usuários gastam, em média, quatro horas diárias entre o tempo no ponto e o percurso até o destino final. No acumulado de doze meses, a soma chega a 44 dias inteiros dentro do sistema.

Metodologia e abrangência do estudo

A pesquisa ouviu 280 trabalhadores e consumidores das sete regiões urbanas da capital sul-mato-grossense. O objetivo foi identificar gargalos de mobilidade que afetam produtividade, bem-estar e desempenho econômico da cidade. Os entrevistados responderam a questionários sobre tempo de deslocamento, infraestrutura disponível e percepção das causas de atraso.

Tempo desperdiçado no transporte

O tempo médio diário de quatro horas envolve duas etapas: cerca de metade é atribuída à espera nos pontos e terminais, enquanto o restante corresponde ao trajeto dentro do ônibus. O estudo também identificou casos extremos: 22% dos participantes relataram permanecer entre cinco e seis horas por dia em deslocamento, o que significa 66 dias consumidos por ano apenas para ir e voltar do trabalho ou de atividades rotineiras.

Principais causas apontadas pelos usuários

Segundo 70% dos entrevistados, o fator que mais contribui para atrasos é o estado precário da malha viária. Buracos e trechos com asfalto danificado reduzem a velocidade média dos coletivos, dificultam o cumprimento de horários e provocam quebras mecânicas frequentes na frota. O trânsito de veículos leves, embora presente, foi citado como problema secundário em comparação às condições das vias.

Infraestrutura de pontos e terminais

A falta de estrutura nos locais de embarque foi avaliada de forma negativa pela maioria dos passageiros. O levantamento mostra que 65% classificam os pontos de ônibus como “péssimos” por não oferecerem cobertura, assentos ou iluminação adequada. Nos terminais e corredores de transbordo, 67% consideram que há abandono estrutural e problemas de higiene. Essa combinação faz com que parte dos usuários inicie a jornada de trabalho já cansada pelo esforço de aguardar sob forte sol ou chuva, muitas vezes em áreas inseguras.

Impactos econômicos e sociais

A perda de tempo no trânsito reflete diretamente na produtividade dos trabalhadores e no faturamento do comércio local. Empregados que enfrentam longos deslocamentos chegam ao serviço com desgaste físico e mental, o que pode reduzir o rendimento diário. Do ponto de vista do consumo, a dificuldade de acesso desencoraja potenciais clientes a se deslocarem até centros comerciais, sobretudo nos horários de maior tráfego.

Oferta de ônibus no período noturno

Após as 21h, o problema se agrava. O chamado “isolamento noturno” foi apontado por 73% dos entrevistados, que consideram a oferta de ônibus nesse horário crítica ou inexistente. Com intervalos que ultrapassam uma hora, trabalhadores de setores como bares e restaurantes relatam o uso frequente de transporte por aplicativo para conseguir voltar para casa, comprometendo até 30% da renda mensal.

Efeito no tráfego geral

A precariedade do sistema público gera migração para o transporte individual entre aqueles que dispõem de recursos, o que amplia o fluxo de automóveis nas vias. Essa mudança eleva o congestionamento, afetando inclusive a circulação dos próprios ônibus e aprofundando o ciclo de ineficiência.

Números centrais do levantamento

• Tempo médio perdido: 4 horas por dia, equivalentes a 44 dias por ano.
• Casos mais graves: 5 a 6 horas diárias, somando 66 dias por ano (22% dos entrevistados).
• Avaliação dos pontos: 65% classificam como péssimos.
• Oferta noturna: 73% consideram crítica ou inexistente.
• Principais causas de atraso: asfalto deteriorado e quebras de veículos (70%).

Os dados revelam um sistema de transporte coletivo que, além de prejudicar o cotidiano dos passageiros, impacta a economia local e contribui para a sobrecarga do tráfego urbano. A pesquisa serve de indicativo para que gestores públicos e operadores do serviço avaliem medidas emergenciais de melhoria na infraestrutura viária, na frota e na oferta de horários, especialmente no período noturno.