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Polícia aponta planejamento em tentativa de estupro contra escrivã em Campo Grande

A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul concluiu que houve preparação prévia na tentativa de estupro registrada na noite de quarta-feira (1º) na Avenida Rita Vieira de Andrade, em Campo Grande. A avaliação foi apresentada na manhã desta sexta-feira (2) pelo subcomandante do Batalhão de Choque, major Cleyton da Silva Salles, durante entrevista coletiva em que foram detalhadas as circunstâncias da ocorrência.

De acordo com o major, o homem detido saiu de casa decidido a praticar o crime sexual. A corporação sustenta essa conclusão com base em vários elementos reunidos após a prisão. O suspeito, de 24 anos, deixou a residência onde estavam a esposa grávida e a filha, seguiu de motocicleta até a avenida e portava gel lubrificante. Além disso, trajava roupa comum, porém sem peças íntimas, o que, segundo a polícia, reforça o caráter deliberado da ação.

A vítima, uma escrivã da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, corria pela avenida quando foi abordada. O agressor usou uma faca para ameaçá-la e a arrastou até uma área de mata nas proximidades. Nesse momento, um policial do Batalhão de Choque que estava de folga passou pelo local com familiares e percebeu a movimentação. Ao notar que a mulher era levada contra a vontade, decidiu intervir.

Conforme o relato do subcomandante, o militar primeiro determinou verbalmente que o agressor se rendesse. O homem largou a arma branca, mas tentou escapar correndo. O policial então efetuou a perseguição, conseguiu alcançá-lo e o manteve imobilizado até a chegada das equipes de apoio. A vítima recebeu assistência imediata e não sofreu ferimentos graves.

Na delegacia, o preso admitiu que tinha ciência da ilegalidade de seus atos. Apesar de não possuir antecedentes criminais registrados, a forma como se organizou para a investida provocou incertezas na polícia sobre a possibilidade de outras tentativas anteriores. O caso está sob investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), que apura se há registros semelhantes na região e recolhe novos depoimentos.

Durante a coletiva, o major Salles explicou que patrulhamentos têm sido reforçados em locais onde há maior concentração de praticantes de atividades físicas, especialmente nos horários de maior movimento pela manhã e no fim da tarde. Segundo ele, a medida busca inibir ocorrências de assédio ou violência sexual, mas não exclui a importância de cuidados individuais.

Entre as recomendações do Batalhão de Choque estão evitar trajetos pouco iluminados ou isolados, preferir áreas com fluxo constante de pessoas e, sempre que possível, realizar corridas ou caminhadas em dupla ou em grupo. A orientação é ainda acionar a Polícia Militar diante de qualquer situação suspeita e evitar confronto direto caso haja indicação de arma com o agressor.

O suspeito permanece preso e à disposição da Justiça. Ele deve responder preliminarmente por tentativa de estupro e ameaça, podendo ter a acusação agravada conforme o desenrolar das investigações. O inquérito em andamento recolhe provas materiais, laudos periciais e imagens de câmeras de segurança instaladas na região, além de ouvir testemunhas para reconstruir a dinâmica exata dos fatos.

A Avenida Rita Vieira de Andrade é ponto habitual de prática esportiva para moradores de vários bairros de Campo Grande. Após o episódio, moradores solicitaram intensificação do policiamento e melhoria na iluminação pública no trecho próximo às áreas de vegetação. A administração municipal informou que as solicitações serão encaminhadas aos setores responsáveis.

O Batalhão de Choque reforçou que denúncias podem ser encaminhadas pelo telefone de emergência 190 ou pelos canais digitais da corporação, sendo garantido sigilo ao denunciante. A instituição reitera que a colaboração da população é fundamental para prevenir crimes e possibilitar respostas rápidas das equipes de segurança.

Até a conclusão do inquérito, o suspeito seguirá detido em unidade prisional designada pelo Poder Judiciário. A escrivã da Polícia Civil, que recebeu atendimento psicológico e acompanhamento médico, retomará as atividades quando liberada pela equipe de saúde. A polícia mantém a investigação aberta para esclarecer se o crime cometido foi um fato isolado ou parte de um possível padrão de comportamento do acusado.