A Prefeitura de Campo Grande inicia nesta segunda-feira, 25, o programa Vira CG Saúde, ação que pretende diminuir as filas por procedimentos especializados na rede municipal. A iniciativa, organizada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) em parceria com a bancada federal do Estado e hospitais contratados, prevê investimento superior a R$ 60 milhões para a realização de mais de 24,8 mil atendimentos.
Segundo a administração municipal, o pacote inclui aproximadamente 8,4 mil cirurgias de diversas especialidades e cerca de 16,8 mil exames e procedimentos diagnósticos. O objetivo é atacar de forma simultânea a demanda reprimida por consultas, exames complexos e intervenções cirúrgicas, considerada histórica pelos gestores locais.
Amplitude do atendimento
O cronograma do Vira CG Saúde engloba cirurgias gerais, ortopédicas, vasculares, bariátricas, urológicas, oftalmológicas, pediátricas e oncológicas. Já a lista de exames incluídos contempla ressonância magnética, tomografia computadorizada, colonoscopia, endoscopia, radiografias e outros testes destinados ao diagnóstico precoce de doenças.
Com a abertura do mutirão, a Prefeitura estima reduzir de forma significativa o tempo de espera de pacientes inscritos no Sistema Único de Saúde (SUS) municipal. Os procedimentos serão distribuídos entre hospitais públicos e instituições privadas credenciadas, que firmaram contrato para ampliar a oferta de vagas sem custo adicional para o usuário.
Fontes de financiamento
O orçamento de mais de R$ 60 milhões será composto por recursos do Tesouro municipal, emendas parlamentares destinadas pela bancada federal de Mato Grosso do Sul e contrapartidas das unidades hospitalares parceiras. A divisão dos montantes foi estruturada pela Sesau para garantir a execução simultânea dos serviços, evitando interrupções por falta de verbas.
Além de custear cirurgias e exames, a dotação cobre despesas com equipe médica, insumos hospitalares, anestesia, materiais de uso descartável, manutenção de equipamentos de imagem e logística de encaminhamento de pacientes.
Metodologia de execução
O programa adota um sistema de triagem que cruza a fila existente no banco de dados da Sesau com a disponibilidade de vagas de cada hospital. Após a convocação, o paciente passa por avaliação pré-operatória ou pré-exame e, em seguida, recebe o agendamento definitivo. Caso o usuário não possa comparecer na data definida, o sistema transfere automaticamente a vaga para o próximo da lista, a fim de evitar ociosidade.
A Sesau também montou um núcleo de acompanhamento para monitorar o andamento do mutirão, registrar indicadores de produtividade e identificar eventuais gargalos que exijam ajustes. Entre as metas estabelecidas estão a redução expressiva da procura por cirurgias ortopédicas e a ampliação do acesso a exames de imagem de alta complexidade.
Impacto esperado na rede
De acordo com a Prefeitura, a execução dos 24,8 mil atendimentos deve gerar alívio imediato na sobrecarga de unidades básicas e de pronto-atendimento, uma vez que pacientes aguardando procedimentos especializados costumam retornar ao sistema em busca de novas consultas ou alívio de sintomas. Com a conclusão das intervenções, a administração municipal espera diminuir o fluxo de retornos e liberar capacidade para novos agendamentos.
A expectativa é que os serviços sejam realizados ao longo dos próximos meses, obedecendo à disponibilidade de salas cirúrgicas, equipamentos de imagem e equipes multiprofissionais. A Sesau não divulgou prazo final para o encerramento do mutirão, mas informou que o cronograma será atualizado periodicamente.
Declarações das autoridades
A prefeita Adriane Lopes, do Progressistas, afirmou que o investimento representa um passo decisivo para ampliar o acesso da população aos procedimentos especializados e enfrentar filas formadas há anos. Para o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, a união entre Executivo, parlamentares e hospitais reforça o compromisso coletivo com a dignidade dos pacientes que dependem do SUS.
Próximos passos
Com a largada oficial nesta segunda-feira, a Prefeitura inicia imediatamente a convocação dos primeiros beneficiados. Os contatos serão feitos por telefone, mensagens ou via agentes comunitários de saúde. A Sesau recomenda que os usuários mantenham seus cadastros atualizados nos postos de saúde para evitar perda de oportunidades.
Os balanços parciais de produtividade do Vira CG Saúde serão divulgados em relatórios públicos, contendo número de cirurgias realizadas, exames concluídos e tempo médio de espera residual. Caso se mostre necessário, a administração municipal prevê ampliar contratos ou buscar novos parceiros para atender a demanda restante.
Com a implementação do mutirão, Campo Grande se soma a outras capitais que têm recorrido a programas de força-tarefa para reduzir filas e agilizar o atendimento do SUS, modelo que vem sendo adotado como solução emergencial para demandas represadas em diversas regiões do país.









