Um motorista de caminhão trator foi detido em flagrante pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) depois que agentes localizaram aproximadamente 300 quilos de substância análoga à pasta base de cocaína escondidos no veículo. A prisão ocorreu na manhã de quarta-feira, 3, no quilômetro 243 da BR-163, no município de Dourados, Mato Grosso do Sul.
De acordo com informações divulgadas pela corporação, a equipe de patrulhamento abordou o conjunto veicular durante fiscalização de rotina na rodovia. No primeiro contato, o condutor afirmou que havia saído do Paraná e seguia diretamente para Dourados, onde carregaria mercadorias. A narrativa levantou suspeita quando os policiais observaram a presença de pneus novos, de fabricação estrangeira, instalados nas carretas acopladas ao caminhão.
Diante do questionamento sobre a procedência dos pneus e do itinerário declarado, o motorista demonstrou nervosismo. Confrontado pelos agentes, acabou admitindo que, antes de chegar a Dourados, havia se deslocado até Ponta Porã, cidade que faz fronteira com o Paraguai, ponto fora da rota previamente indicada. A mudança de versão reforçou a necessidade de uma vistoria minuciosa no veículo.
Durante a inspeção, os policiais localizaram compartimentos ocultos nos semirreboques. Segundo a PRF, esses espaços não faziam parte do projeto original de fábrica e haviam sido adaptados para o transporte clandestino. Após a abertura das divisórias, foram encontrados diversos tabletes embalados em plástico, contendo substância identificada preliminarmente como pasta base de cocaína.
A pesagem realizada no local apontou cerca de 300 quilos do entorpecente. A carga ilícita foi removida, contabilizada e acondicionada em sacos para posterior apresentação às autoridades competentes. Ainda no posto da PRF, o motorista recebeu voz de prisão pelo crime de tráfico de drogas, previsto na legislação penal brasileira.
Concluída a ocorrência na rodovia, o suspeito foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal em Dourados, onde permanecerá à disposição da Justiça. A droga, o caminhão trator e os semirreboques foram apreendidos para a continuidade das investigações. Não foram divulgados, até o momento, detalhes sobre o proprietário do veículo ou eventuais destinatários da carga.
O trecho da BR-163 em que se deu a apreensão é um corredor logístico estratégico utilizado para o escoamento de produtos agropecuários e de cargas diversas na região Centro-Oeste. A rodovia também é apontada por órgãos de segurança como rota recorrente para o transporte de drogas oriundas de países vizinhos, em especial pelo acesso facilitado às fronteiras sul-matogrossenses.
Em nota, a PRF ressaltou que a descoberta dos pneus estrangeiros foi determinante para identificar inconsistências no relato do condutor. O uso de componentes recém-instalados, sobretudo de origem internacional, é comumente associado a tentativas de mascarar intervenções feitas em veículos para acomodar entorpecentes ou mercadorias de contrabando.
As investigações agora buscam confirmar a procedência exata da droga e o roteiro percorrido até o momento da abordagem. Informações preliminares indicam que a carga possa ter ingressado no território nacional pela fronteira com o Paraguai. A Polícia Federal deverá analisar imagens de câmeras instaladas em postos de fiscalização, registros de pedágios e eventuais comunicações telefônicas para traçar a cadeia logística do carregamento.
O motorista, que não teve o nome divulgado, poderá responder também por associação para o tráfico caso o inquérito comprove vínculo com outras pessoas envolvidas na tentativa de transporte. A pena para tráfico de drogas varia de cinco a 15 anos de reclusão, podendo ser aumentada em circunstâncias que envolvam transnacionalidade ou uso de veículo de carga.
Esta é uma das maiores apreensões de pasta base realizadas pela PRF em Mato Grosso do Sul neste ano. A corporação reforçou que operações de fiscalização em pontos estratégicos da BR-163 continuarão intensificadas, com ênfase no combate ao tráfico e no monitoramento de veículos que apresentem indícios de irregularidades estruturais ou discrepâncias em roteiros declarados.
O entorpecente passará por perícia para confirmar a composição química e o grau de pureza. Após a conclusão dos laudos, os tabletes ficarão sob custódia da Justiça Federal até decisão sobre destruição, conforme procedimentos legais estabelecidos para drogas apreendidas.









