A safra 2025/2026 de milho segunda safra em Mato Grosso do Sul continua apontando potencial produtivo elevado, porém a intensificação da estiagem e a possibilidade de geadas nas próximas semanas impõem cautela aos agricultores do Estado. Levantamento mais recente do Projeto SIGA-MS indica que 71,5% das lavouras avaliadas apresentam condição considerada boa, enquanto 17,8% estão em estado regular e 10,7% já se enquadram como ruins em razão de perdas pontuais.
De acordo com o mapeamento, as áreas com melhor desempenho concentram-se nas regiões norte, nordeste, oeste e sudoeste sul-matogrossenses. Nesses polos, o desenvolvimento vegetativo do milho ocorre dentro do esperado, reflexo principalmente de chuvas ocorridas no início do ciclo e do plantio realizado dentro da janela ideal. No norte do Estado, o indicador de lavouras em situação favorável supera 90%, demonstrando resiliência mesmo diante das limitações hídricas que começam a se acentuar.
No centro e no sul de Mato Grosso do Sul, entretanto, a irregularidade das precipitações, somada ao avanço da estiagem e ao risco de frio intenso, já afeta parte significativa das áreas cultivadas. Municípios como Campo Grande, Sidrolândia e Rio Brilhante, localizados no cinturão central, registram 23,8% de lavouras com perdas confirmadas. A expectativa, segundo técnicos que acompanham o ciclo, é de que novas avaliações sejam necessárias caso as chuvas não retornem de forma regular até meados de maio.
Além da carência hídrica, episódios localizados de granizo agravaram o cenário em determinados municípios do sul do Estado. Dourados, Deodápolis, Fátima do Sul e Ivinhema registraram danos pontuais associados ao fenômeno, com relatos de quebra de plantas e redução do estande. Embora a área afetada ainda seja considerada restrita no cálculo estadual, os produtores dessas localidades contabilizam despesas adicionais com manejo para tentar preservar o potencial remanescente das lavouras.
O coordenador técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), Gabriel Balta, avalia que o quadro geral permanece positivo, mas ressalta a dependência do clima no período crítico de enchimento de grãos. “O plantio ocorreu majoritariamente dentro da janela recomendada, o que sustenta o potencial. Porém, o intervalo de maio a junho será decisivo, pois coincide com a fase de maior exigência hídrica e com a possibilidade de ondas de frio”, observa.
Balta lembra que, embora eventos de geadas ainda não tenham sido registrados nesta temporada, a aproximação do inverno aumenta o risco para áreas semeadas mais tarde ou posicionadas em baixadas suscetíveis a temperaturas negativas. Caso ocorram, as geadas podem comprometer principalmente lavouras em fase de polinização ou enchimento de grãos, que são biologicamente mais sensíveis a variações bruscas de temperatura.
Na projeção inicial da safra, o Estado deverá semear aproximadamente 2,2 milhões de hectares com milho segunda safra. A expectativa de produção total é de 11,1 milhões de toneladas, volume que depende da manutenção de condições climáticas minimamente favoráveis nas próximas semanas. O número atual ainda reflete a produtividade potencial estimada logo após o plantio, sem contabilizar perdas adicionais que venham a ocorrer por falta de chuva, geadas ou novos episódios de granizo.
O relatório do Projeto SIGA-MS reforça que o monitoramento constante continua sendo fundamental para orientar decisões de manejo, especialmente em propriedades localizadas no centro-sul do Estado. Entre as recomendações técnicas estão a avaliação frequente do teor de umidade no solo, a adoção de manejos que reduzam estresse hídrico e a observação de previsões meteorológicas de curto prazo para antecipar eventuais ações de mitigação frente ao frio.
Os técnicos destacam ainda que a distribuição espacial das perdas revela diferenças marcantes dentro do próprio Estado. Enquanto núcleos do norte e do oeste mantêm perspectiva de produtividade elevada, cinturões mais próximos ao sul da fronteira com o Paraguai ou aos municípios da faixa central enfrentam desafios mais severos. Essa heterogeneidade reforça a relevância de análises regionais na formulação de políticas de apoio e na projeção de oferta de grãos.
Em síntese, o milho segunda safra 2025/2026 em Mato Grosso do Sul preserva condições majoritariamente favoráveis, mas enfrenta ameaças simultâneas de estiagem, granizo e potencial geada. O resultado final da colheita dependerá da evolução do clima no curto e no médio prazo, fator que mantém produtores, cooperativas e entidades do setor em alerta permanente.








