Em texto publicado no RCN67, o professor e gestor escolar Jacir J. Venturi defende que a valorização e a formação continuada são essenciais para melhorar o magistério brasileiro.
Venturi argumenta que resgatar o prestígio da carreira docente seria o primeiro passo para avançar em um sistema educacional ainda considerado combalido. Para ele, a meritocracia deve ser um dos fundamentos desse reconhecimento, ao lado de postura exemplar e profissionalismo do docente.
Ele cita o mote de Singapura – “Tratamos os professores como joias. Ser professor não é emprego, é uma profissão responsável por moldar as futuras gerações” – como referência de países que alcançam bons resultados nas avaliações internacionais.
Até a década de 1960, o Brasil tinha maioria analfabeta e população pobre. Hoje, embora o país tenha avançado nas avaliações globais, ainda há distância entre a realidade brasileira e a de nações que oferecem carreiras no magistério com intensa qualificação profissional e prestígio reconhecido.
Formação continuada
Segundo o autor, ao longo da carreira os professores dedicam 100 horas ou mais por ano à capacitação, com ênfase no desenvolvimento de novas metodologias, tecnologias de ensino e habilidades. Essa carga horária, afirma, é indispensável para que o docente mantenha-se atualizado quanto aos avanços de sua área de conhecimento e às novas práticas educacionais.
Venturi ressalta que a didática é primordial, pois as mudanças no ambiente da sala de aula são intensas e constantes. Ele afirma que o magistério está entre as profissões que mais se desatualizam, reforçando a ideia de que o bom educador é, antes de tudo, um eterno aprendiz.
Desafios digitais
O autor aponta que muitos docentes ainda se sentem despreparados para mediar tecnologias emergentes, como plataformas digitais e inteligência artificial. Ele cita pesquisas recentes que indicam que a maioria dos professores gostaria de receber capacitação nas próprias instituições de ensino para lidar com esses recursos.
Venturi usa a metáfora de um ônibus de ida, sem retorno, para ilustrar a situação: a maioria dos professores embarca, capacita‑se e segue adiante, enquanto alguns desembarcam ou são deixados para trás.
No século XXI, o professor tende a ser mais do que um expositor de conteúdos; ele deve atuar como mediador, mentor e motivador, equilibrando competências cognitivas e habilidades socioemocionais dos alunos.
Jacir J. Venturi tem 52 anos de atuação, tendo sido professor e gestor em instituições como UFPR, PUCPR, Universidade Positivo, cursos pré‑vestibulares e escolas públicas e privadas, inclusive no Colégio Estadual do Paraná. Ao longo da trajetória, lecionou para mais de 90 mil alunos e integra o Conselho Estadual de Educação do Paraná.
Para concluir, o autor relembra a frase de D. Pedro II: “Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”. Ele reforça que quem deseja dirigir bem as inteligências jovens jamais deixa de cultivar a própria aprendizagem.







