Forças de segurança e órgãos de controle intensificaram a fiscalização de insumos agropecuários em Mato Grosso do Sul nesta semana, visando impedir a entrada e circulação de defensivos agrícolas contrabandeados, sementes sem procedência e cargas clandestinas nas rodovias do estado. A ação conjunta tem como objetivo proteger a produção agrícola local, evitar riscos ambientais e garantir a arrecadação tributária.
Entre segunda‑feira, 19, e sexta‑feira, 23 de outubro de 2026, fiscais estaduais e federais, além de agentes da Polícia Rodoviária Federal, participaram do Seminário de Capacitação para Fiscalização Integrada de Insumos Agropecuários, realizado no auditório da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), localizado na Avenida Senador Filinto Müller, 1.146, Vila Ipiranga, em Campo Grande. O evento contou ainda com a presença de representantes de associações do setor produtivo, como CropLife Brasil, a Associação Nacional de Distribuidores de Insumos (Andav) e o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), reforçando a integração entre poder público e iniciativa privada.
Fiscalização integrada
O programa ofereceu módulos práticos que incluíram a identificação de agrotóxicos ilegais, a perícia de sementes adulteradas, a checagem documental de cargas e simulações operacionais de abordagem nas principais rotas de escoamento do estado. O foco central da capacitação foi padronizar abordagens e intensificar barreiras fixas e volantes nos corredores de escoamento, permitindo que fiscais e agentes de segurança atuem de forma coordenada e eficiente. Participaram também servidores do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da própria Iagro, que apresentaram diretrizes técnicas para a inspeção sanitária.
De acordo com dados do governo de Mato Grosso do Sul, o comércio clandestino de insumos movimenta cifras bilionárias no país, reduzindo a arrecadação tributária e prejudicando a competitividade dos produtores formais. Além da evasão fiscal, o uso de defensivos sem registro técnico no Mapa pode contaminar solo, mananciais e lavouras, expondo agricultores a princípios ativos de toxicidade desconhecida ou proibidos no Brasil. Esses riscos ambientais podem gerar perdas de produtividade e comprometer a segurança alimentar da região.
Para evitar autuações fiscais, perdas de produção e possíveis crimes ambientais, os órgãos de controle recomendam que produtores e revendedores adotem quatro cuidados essenciais: adquirir produtos exclusivamente em estabelecimentos credenciados e exigir nota fiscal discriminada; verificar se os lotes de sementes e defensivos possuem cadastro regular nos sistemas da Iagro e do Mapa; recusar itens sem rótulo legível, com lacres rompidos ou instruções em língua estrangeira não autorizada; e notificar imediatamente os órgãos de fiscalização sobre ofertas com preços muito abaixo do mercado ou suspeitas de transporte irregular por meio dos canais de denúncia oficiais. Essas medidas visam reduzir a circulação de produtos adulterados e garantir a conformidade legal.
Próximos passos
Daniel Ingold, diretor‑presidente da Iagro, destacou que a eficácia da repressão nas estradas depende da articulação direta entre agentes de segurança e fiscais sanitários para bloquear o fluxo interestadual e transfronteiriço de mercadorias adulteradas. O seminário deve gerar novas operações conjuntas nas rodovias, com a expectativa de reduzir significativamente a presença de insumos ilegais no mercado regional nos próximos meses. A Iagro informou que publicará relatórios periódicos sobre as fiscalizações realizadas, permitindo o acompanhamento da evolução da situação pelos produtores e pela sociedade.







