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Sindicato alerta para aumento de acidentes no polo industrial de Três Lagoas

Em entrevista ao programa Microfone Aberto, da rádio Massa FM 93,3, o presidente do Sindicato dos Técnicos em Segurança do Trabalho de Mato Grosso do Sul, Fábio Borges, alertou que o número de acidentes de trabalho tem crescido junto à expansão industrial em Três Lagoas e região do Bolsão.

Segurança industrial

Borges destacou que a chegada de novos empreendimentos, como a fábrica de celulose da Arauco em Inocência e o Projeto Cerrado da Suzano em Ribas do Rio Pardo, aumenta a necessidade de orientação, fiscalização e presença de técnicos especializados. Entre as atividades de maior risco, citou montagem industrial, içamento de materiais e trabalho em altura, que exigem o uso de cinto de segurança, talabarte e outros EPIs conforme a NR 35.

Os registros de acidentes são acompanhados por meio da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) e dos dados do Sinan, que permitem dimensionar afastamentos e óbitos. Borges informou que cerca de 70% da mão de obra que atua no estado vem das regiões Norte e Nordeste, trazendo experiência, mas também exigindo adaptação às normas locais.

Um dos principais desafios apontados é a escassez de técnicos em segurança. Em muitas empresas, apenas um profissional atende de 100 a 200 funcionários, sobrecarregando a gestão de EPIs, fiscalizações e orientações. A terceirização ou quarteirização desses serviços, segundo o sindicato, pode reduzir a eficácia das medidas preventivas.

Para mitigar o cenário, o sindicato realiza visitas preventivas, participa de DDS, SIPATs e ações da CIPA, e reforça que a responsabilidade pela segurança não pode recair apenas sobre o técnico. Recentemente, foi firmado um acordo coletivo na região do Bolsão que fixa salário de R$ 4,6 mil para profissionais da Arauco, e há negociações em curso com o Sindicato Nacional da Engenharia e Arquitetura para uma convenção coletiva ainda este ano.