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Sistema Pantera amplia monitoramento de incêndios no Pantanal

Inteligência artificial monitora o Território Indígena Guató e uma área maior da fronteira com a Bolívia Foto: IHP

O Pantanal ganhou uma nova camada de proteção contra incêndios. O Sistema Pantera, desenvolvido pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), ampliou em 20% sua área de atuação. Com isso, a tecnologia com inteligência artificial agora monitora quase 2 milhões de hectares da planície pantaneira.

Antes da expansão, o sistema acompanhava cerca de 1,6 milhão de hectares na região da Serra do Amolar. Essa cobertura abrangia áreas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bolívia. A novidade é a inclusão do Território Indígena Guató, localizado na Ilha Ínsua, que agora também recebe o olhar atento das câmeras.

Ampliação da cobertura

A expansão ocorreu por meio de duas ações principais. Uma nova câmera foi instalada para reforçar a cobertura na fronteira com a Bolívia. O equipamento opera 24 horas por dia, todos os dias da semana, garantindo vigilância contínua.

Além da nova câmera, uma antena existente na região do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, em Poconé (MT), foi modernizada. Essa atualização técnica permitiu aumentar a área de alcance do sistema. As intervenções foram realizadas durante uma semana em setembro.

O trabalho contou com o apoio da Brigada Uberaba Guató, que integra o Prevfogo/Ibama, e da Brigada Alto Pantanal, mantida pelo IHP. A operação envolve uma parceria entre o Instituto Homem Pantaneiro, o Governo de Mato Grosso do Sul, o Exército Brasileiro e a Aldeia Guató Uberaba.

Tecnologia na prevenção

O Sistema Pantera funciona desde 2022. Ele utiliza câmeras instaladas em torres para vigiar grandes extensões do bioma. As imagens são processadas por um sistema de inteligência artificial, capaz de identificar sinais de fumaça e enviar alertas imediatos aos operadores.

A tecnologia permite localizar a ocorrência com precisão e direcionar as equipes para o ponto exato do incêndio. Uma das principais vantagens em relação ao monitoramento por satélite é a velocidade. Enquanto satélites podem levar de seis a oito horas para detectar focos de calor, o Pantera busca identificar a fumaça nos primeiros momentos, quando o fogo ainda é mais fácil de controlar.

O sistema também cruza dados de temperatura, velocidade do vento e umidade do ar. Essas informações ajudam a estimar como as chamas podem avançar, permitindo uma resposta mais estratégica. Os alertas são compartilhados com o Prevfogo/Ibama, os Corpos de Bombeiros de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a Brigada Indígena Uberaba e instituições da Bolívia.

Ângelo Rabelo, diretor-presidente do IHP, destaca a importância do avanço. Para ele, ampliar o sistema é aumentar a capacidade de chegar antes do fogo. A tecnologia fortalece a prevenção e dá suporte direto às equipes que atuam no combate, especialmente em regiões de difícil acesso e sem estradas. O projeto integra uma rede de prevenção que inclui um estudo internacional com mais de 100 instituições dos Estados Unidos, Peru, Brasil e Bolívia.