A cadeia de produção de suínos em Mato Grosso do Sul registrou expansão próxima de 50% nos últimos três anos, segundo dados apresentados no V Simpósio Abraves/MS, realizado em Campo Grande. O avanço é atribuído a uma combinação de crédito rural, programas estaduais de estímulo, reforço em biossegurança e participação crescente das entidades de classe nas discussões sobre políticas públicas.
No evento, o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Rogério Beretta, detalhou as ações que sustentam o ciclo de crescimento. Ele citou a oferta de financiamento por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), responsável por injetar aproximadamente R$ 1,7 bilhão na atividade ao longo dos últimos sete anos, além da modernização de incentivos fiscais como o programa Leitão Vida.
De acordo com Beretta, o Estado atua em três frentes simultâneas: facilitar o acesso ao crédito para instalação ou ampliação de granjas, atualizar normas que asseguram competitividade e reforçar a assistência técnica para difundir boas práticas de produção. Esse tripé, segundo ele, cria um ambiente favorável para novos investimentos e amplia a segurança sanitária do plantel sul-mato-grossense.
O programa Leitão Vida, apontado como principal instrumento de apoio à suinocultura local, passou por revisão em 2025. A partir dessa atualização, entrou em vigor o Protocolo Leitão Vida em Conformidade (PLVC), desenvolvido conjuntamente por produtores, cooperativas, entidades representativas e instituições de pesquisa. O novo modelo estabelece critérios de biossegurança, bem-estar animal, sustentabilidade ambiental e acompanhamento técnico obrigatório por médicos-veterinários e zootecnistas.
Entre janeiro e junho de 2026, o Leitão Vida incentivou mais de 4,5 milhões de animais, resultando no abate de 1,63 milhão de suínos. No mesmo período, foram repassados R$ 45,2 milhões em incentivos diretos aos criadores. Atualmente, 272 estabelecimentos integram o programa, a maior parte já adaptada integralmente às exigências do PLVC.
Paralelamente aos estímulos governamentais, a suinocultura de Mato Grosso do Sul reforçou a estrutura sanitária com foco em biossegurança. Investimentos em barreiras físicas, protocolos de higienização e rastreabilidade reduziram riscos de doenças, ampliando a confiabilidade da produção perante a indústria e o mercado externo. A estratégia é considerada essencial para manter o ritmo de expansão sem comprometer a sustentabilidade econômica e ambiental.
O associativismo também ganhou protagonismo na última década. Segundo Beretta, a presença ativa de cooperativas e associações de produtores em fóruns setoriais tem contribuído para acelerar a adoção de tecnologias, além de oferecer suporte técnico e negociar condições mais vantajosas de comercialização. Essa articulação fortalece a representatividade da cadeia produtiva e facilita a interlocução com o poder público.
No simpósio, produtores, pesquisadores e representantes da indústria debateram tendências em genética, nutrição, manejo e gestão de resíduos. As discussões apontaram a necessidade de ampliar a integração entre granjas, frigoríficos e universidades, a fim de potencializar ganhos de eficiência e atender a exigências de mercados consumidores que valorizam rastreabilidade e redução de pegada de carbono.
Com um rebanho em ascensão e infraestrutura crescente, Mato Grosso do Sul consolida-se como polo relevante da suinocultura brasileira. O Estado visa ampliar a participação no número de abates nacionais, atualmente dominado por regiões tradicionais do Sul do país, aproveitando a disponibilidade de grãos para ração e a localização estratégica em relação aos principais centros consumidores e corredores de exportação.
A projeção de autoridades e agentes do setor é manter o ritmo de crescimento nos próximos anos, apoiado em novas linhas de crédito, ampliação do programa Leitão Vida e expansão de unidades frigoríficas. Para isso, a manutenção de padrões sanitários rigorosos e a capacitação permanente de mão de obra são apontadas como condicionantes.
Os debates no V Simpósio Abraves/MS indicam que o Estado pretende intensificar a integração de políticas de sustentabilidade, unindo métricas de bem-estar animal à eficiência produtiva. A expectativa é de que a convergência entre iniciativas públicas e privadas continue impulsionando investimentos e consolidando a suinocultura como um dos vetores estratégicos da economia sul-mato-grossense.









