O balanço financeiro do primeiro quadrimestre de 2026 mostra que Três Lagoas arrecadou R$ 450.553.751,17 entre janeiro e abril e liquidou R$ 388.094.631,85 em despesas no mesmo período. Os números constam de audiência pública promovida nesta semana pela Secretaria Municipal de Finanças, Receita e Controle, conforme determina a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O valor obtido equivale a 29,87 % da receita total atualizada para o exercício, estimada em R$ 1,508 bilhão. A Lei Orçamentária Anual de 2026 fixou expectativa inicial de R$ 1,488 bilhão, diferença que reflete os ajustes já aprovados ao longo do ano.
Das receitas efetivamente arrecadadas, R$ 182 milhões originam-se de tributos municipais, participação que corresponde a 40,4 % do total. Entre as principais fontes próprias estão o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o Imposto de Renda retido na fonte e o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).
As transferências intergovernamentais completam o quadro. Os repasses do Estado totalizaram R$ 134 milhões, enquanto as transferências da União alcançaram R$ 134,4 milhões. Cada uma dessas parcelas representa aproximadamente 30 % da receita global angariada no período.
No lado das despesas, o município empenhou R$ 832,3 milhões até abril, montante que indica compromissos assumidos e ainda em processo de pagamento. Desse valor, R$ 388 milhões foram liquidados, ou seja, já correspondem a serviços prestados ou bens entregues e reconhecidos formalmente.
Os maiores desembolsos concentram-se em Saúde e Educação. Na Saúde, os empenhos superam R$ 151 milhões, englobando despesas correntes, manutenção de unidades e aquisição de equipamentos. A Educação responde por mais de R$ 189 milhões em compromissos assumidos, valor que cobre desde folha de professores até investimentos em infraestrutura escolar.
A folha de pagamento permanece como item expressivo do orçamento. As despesas com pessoal somam R$ 595,6 milhões, equivalentes a 52,76 % da receita corrente líquida. O percentual aproxima-se do limite prudencial previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal, que impõe atenção redobrada à evolução desses gastos nos próximos meses.
Os investimentos formalmente empenhados atingem R$ 103 milhões. A maior fatia é destinada a infraestrutura urbana: pavimentação e drenagem de diversos bairros consomem R$ 31,2 milhões, enquanto a modernização do sistema de iluminação pública recebe R$ 10,8 milhões, viabilizada em parte por parceria público-privada. Entre as obras em execução estão vias asfaltadas, unidades de saúde, novas escolas, projetos habitacionais e intervenções de mobilidade.
Recursos também foram direcionados à aquisição de bens permanentes e melhorias em equipamentos coletivos. Destacam-se computadores destinados à rede de assistência social, reformas no terminal rodoviário e intervenções no balneário municipal, iniciativas que integram o programa de revitalização de espaços públicos.
Nas aplicações obrigatórias determinadas pela Constituição, o município destinou 25,89 % da receita à Saúde, patamar superior ao mínimo de 15 % exigido para a área. Em Educação, o índice alcançou 22,98 %, resultado que se mantém aquém do mínimo de 25 % e exige complementação até o encerramento do exercício fiscal.
Quanto ao equilíbrio das contas, o resultado primário ficou positivo em R$ 38 milhões, enquanto o resultado nominal apresentou superávit de R$ 43,6 milhões. A dívida consolidada líquida registrou valor negativo de R$ 44 milhões, sinalizando que o município dispõe, no momento, de volume de caixa superior ao montante de obrigações consolidadas.








