A situação epidemiológica de Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, apresenta recuo expressivo nos indicadores de dengue e chikungunya em 2026. Boletim da Secretaria Municipal de Saúde consolidado até 14 de abril mostra 178 notificações de dengue neste ano, das quais 15 evoluíram para confirmação laboratorial ou clínica, 146 foram descartadas e não houve registro de óbito. No mesmo intervalo de 2025, o município contabilizava 978 notificações, com 257 confirmações, além de um óbito atribuído à doença.
O comparativo aponta diminuição aproximada de 81,8 % no volume de notificações e queda de 94,2 % no total de casos confirmados. A tendência de redução também se estende à chikungunya. Em 2026, a Vigilância Epidemiológica confirmou oito ocorrências, enquanto, em 2025, havia 35 registros, o que representa retração de cerca de 77,1 %.
Os dados reforçam um cenário momentaneamente mais controlado das arboviroses no município. Ainda assim, a Secretaria Municipal de Saúde mantém o estado de atenção e segue executando ações de monitoramento, bloqueio de transmissão e orientação preventiva junto à população. A pasta atribui o desempenho positivo a um conjunto de fatores que inclui a intensificação das visitas dos agentes de combate a endemias, campanhas educativas sobre eliminação de criadouros e o engajamento de moradores em medidas simples de prevenção.
Panorama detalhado dos levantamentos
O boletim considera todas as notificações registradas na rede pública e privada de 1.º de janeiro a 14 de abril. A metodologia avalia sintomas clínicos, resultados laboratoriais e critérios epidemiológicos para classificar cada ocorrência como confirmada, descartada ou em investigação. Das 178 notificações de dengue em 2026, 17 permanecem pendentes de conclusão definitiva, aguardando exames ou encerramento por critério clínico-epidemiológico. No universo de 15 confirmações, a maior parte refere-se à forma clássica da doença, sem complicações.
Em relação à chikungunya, os oito casos confirmados neste ano concentram-se em bairros distintos, sem formação de um único conglomerado de transmissão. A Vigilância monitora os locais de residência e circulação dos pacientes para aplicação de inseticida de efeito residual e remoção de focos do Aedes aegypti, mosquito que também transmite dengue, zika e febre amarela urbana.
Medidas em vigor para evitar novo avanço
Para reduzir o risco de recrudescimento dos casos durante o período de temperaturas mais altas, a Secretaria de Saúde mantém mutirões de limpeza, vistorias a imóveis fechados, distribuição de material informativo e orientação em escolas, unidades básicas, estabelecimentos comerciais e pontos de grande circulação de pessoas. Paralelamente, realiza o levantamento rápido de índices de infestação do Aedes – conhecido como LIRAa – a cada dois meses, identificando os bairros que demandam intervenção imediata.
As equipes de campo trabalham em parceria com a Secretaria de Infraestrutura para remover entulhos depositados em terrenos baldios, coibir descarte irregular de resíduos e garantir a correta destinação de pneus, recipientes plásticos e objetos capazes de acumular água parada. Em áreas de maior vulnerabilidade, é feito o tratamento focal com larvicidas específicos aprovados pelo Ministério da Saúde.
Alerta permanente à população
Embora o boletim indique queda consistente nas estatísticas, a Coordenação de Controle de Vetores orienta que moradores não deixem de adotar cuidados cotidianos, como:
- eliminar água acumulada em vasos, calhas, caixas d’água destampadas e bandejas de ar-condicionado;
- manter o lixo devidamente ensacado e tampado, com coleta regular;
- guardar garrafas viradas para baixo e descartar pneus inutilizados em pontos de recolhimento autorizados;
- permitir a entrada dos agentes de endemias identificados nos imóveis para inspeção e aplicação de orientações.
As unidades de saúde de Três Lagoas continuam recebendo pessoas com sintomas compatíveis, como febre repentina, dores musculares, cefaleia, náusea, manchas avermelhadas na pele e, no caso da chikungunya, dor articular intensa. Na ocorrência de sinais de alarme – sangramentos, dor abdominal persistente, tontura ou vômitos constantes –, o paciente deve procurar atendimento de urgência.
Perspectivas para o restante do ano
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a manutenção dos baixos índices dependerá da continuidade das ações integradas e do comportamento ambiental favorável, em especial quanto ao volume de chuvas e à variação de temperatura, fatores que influenciam o ciclo de reprodução do Aedes aegypti. Caso as condições climáticas mudem, a pasta pretende intensificar o uso de armadilhas para monitoramento vetorial e ampliar a divulgação de informações em rádios, redes sociais e aplicativos institucionais.
Até que o ano se encerre e o balanço final seja divulgado, o município seguirá avaliando semanalmente os indicadores de dengue, chikungunya e outras arboviroses, ajustando as estratégias conforme a evolução dos dados.









