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UE inicia bloqueio às importações de carne brasileira nesta quinta-feira (3)

Medida atinge exportações de bovinos, frango, ovos e mel - Foto: Reprodução/Semadesc

Entrou em vigor nesta quinta-feira (3) a suspensão das importações de carne e demais produtos de origem animal provenientes do Brasil pela União Europeia, conforme reiterado na segunda‑feira (31) pela Comissão Europeia, que apontou falta de garantias suficientes quanto ao cumprimento das normas sanitárias sobre medicamentos veterinários.

A restrição atinge itens destinados ao consumo humano, como carne bovina, carne de frango, ovos, mel e tripas usadas pela indústria alimentícia. O bloco não estabeleceu data geral para a retomada das compras, mantendo o veto até que as autoridades brasileiras comprovem o atendimento a todas as exigências técnicas.

O impasse decorre das regras europeias que regulam o uso de antimicrobianos na produção animal, criadas para conter a resistência bacteriana em humanos. As normas proíbem a aplicação de remédios para estimular ganho de peso e crescimento dos animais e limitam o uso de antibióticos considerados essenciais para a medicina humana.

O Brasil já figurava, desde maio, na lista de nações em desacordo com as diretrizes sanitárias europeias. Em junho, lideranças do setor agropecuário apontaram a demora do governo federal em apresentar os laudos exigidos como fator determinante para o avanço da medida. Na ocasião, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, ressaltou a manutenção de um diálogo construtivo, mas afirmou que a liberação depende do cumprimento integral das regras sanitárias.

A medida afeta um mercado expressivo para o agronegócio nacional. Em 2025, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para o bloco, com mais de 92 mil toneladas exportadas e faturamento superior a 713 milhões de euros (cerca de R$ 4,2 bilhões).

Quanto à possibilidade de retomada, uma auditoria internacional nos setores de aves e mel tem conclusão prevista para a sexta‑feira (4); se o resultado for favorável e obtiver aprovação dos países‑membros da UE, os embarques dessas duas categorias podem ser normalizados em algumas semanas. O processo de reavaliação da carne bovina é mais rigoroso e a liberação das exportações pode demandar prazo maior.