Na segunda-feira (31), a Câmara Municipal de Campo Grande recebeu a palestra de encerramento do Agosto Lilás, organizada pela Procuradoria da Mulher e pela Escola do Legislativo. O encontro, que reuniu especialistas e lideranças comunitárias, abordou o impacto dos discursos de preconceito na internet e a necessidade de medidas preventivas.
A palestra principal foi conduzida pela ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, que relacionou as manifestações discriminatórias nas redes sociais com a escalada de violências no mundo real. “É importante a gente pensar e elaborar de onde está vindo tanto ódio contra as mulheres. A perversidade, a crueldade que está acontecendo, feminicídios, sequestros de crianças. Isso vem de ódio planejado pelas redes sociais sob o argumento de liberdade de expressão”, afirmou a ex-ministra.
Gonçalves destacou que a misoginia, definida como ódio, desvalorização ou preconceito estrutural contra o público feminino, surge no cotidiano em comentários e atitudes desrespeitosas antes de evoluir para agressões físicas e feminicídios. Para combater a violência, a palestrante enfatizou a necessidade de ações educativas voltadas ao público masculino: “Precisamos acima de tudo prevenir, falar com os homens para mudar comportamento. Violência não é cultura, é comportamento e valores. Isso a gente muda”, disse.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT), responsável pela Procuradoria da Mulher no Legislativo, explicou que levar o tema ao parlamento ajuda a aprimorar leis locais e a fiscalização de serviços. “A Procuradoria tem essa obrigação de tratar internamente aqui na Câmara e com a sociedade também as questões que interessam às mulheres, até para que a formulação legislativa seja de maior qualidade, que a fiscalização do trabalho dos vereadores e das vereadoras consiga atingir os seus objetivos em relação às políticas públicas para as mulheres”, pontuou.
Presente no evento, a servidora pública Aline Thais dos Santos Nascimento reforçou a necessidade de disseminar o tema em toda a sociedade. “Nós vivemos em um País e em um Estado bastante machistas e o nível de violência tem aumentado cada vez mais. É importante conscientizar, trazer essas políticas, trazer esse tema à discussão porque muita gente desconhece até o conceito de misoginia. Como mãe de menino, acho importante que essas discussões aconteçam e ocupem todos os espaços”, concluiu.







