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UFN 3 deve praticamente dobrar fatia da Petrobras no mercado brasileiro de ureia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a destacar a importância da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN 3), localizada em Três Lagoas (MS), durante evento realizado na quinta-feira (14) na Bahia, que marcou a retomada da produção da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA). Segundo o chefe do Executivo, a entrada em operação da planta sul-mato-grossense deverá elevar a participação da Petrobras no mercado nacional de ureia para aproximadamente 35% nos próximos anos.

Durante a cerimônia, a Petrobras informou que a combinação das operações da Fafen-BA, da Fafen Sergipe e da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) permitirá à companhia atingir, inicialmente, cerca de 20% do consumo interno de ureia. A projeção é que o percentual praticamente dobre quando a UFN 3 iniciar suas atividades comerciais, consolidando a reaproximação da estatal do segmento de fertilizantes.

A reativação da UFN 3 integra a estratégia da Petrobras de restabelecer presença relevante no setor de fertilizantes nitrogenados, considerado estratégico para o agronegócio brasileiro e para a redução da dependência de insumos importados. Até o reinício das fábricas no Nordeste, 100% da ureia utilizada no país era adquirida no exterior.

As obras em Três Lagoas estavam paralisadas desde 2015. Em abril deste ano, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a retomada do projeto, estimado em aproximadamente US$ 1 bilhão. O cronograma prevê a conclusão da construção e o início da operação comercial em 2029.

De acordo com a companhia, a decisão foi tomada após reavaliação técnica e econômica do empreendimento, alinhada ao Plano de Negócios 2026-2030. O retorno das obras deverá gerar cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos na fase de construção, impactando a economia regional de Três Lagoas e municípios vizinhos.

A partir de 2023, a fábrica sul-mato-grossense passou a ser classificada como prioritária no portfólio da estatal. O projeto integra a carteira de fertilizantes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), que reúne investimentos avaliados em R$ 5,9 bilhões para ampliar a produção nacional de insumos agrícolas.

No evento na Bahia, Lula ressaltou que a ampliação da capacidade interna de fabricação de fertilizantes tem como metas reforçar a segurança alimentar, reduzir a exposição cambial do setor agropecuário e mitigar impactos ambientais ligados ao transporte internacional de produtos químicos. Segundo o presidente, a produção local de ureia e amônia contribuirá para diminuir custos logísticos, aumentar a competitividade das cadeias agrícolas e estimular o desenvolvimento de novos polos industriais.

Além da UFN 3, a Petrobras mantém estudos de viabilidade para modernizar e expandir as unidades já operacionais no Nordeste e no Sul. A companhia também avalia oportunidades de parcerias tecnológicas e comerciais com vistas à descarbonização dos processos de fabricação de fertilizantes, embora ainda não tenha divulgado detalhes sobre eventuais metas de redução de emissões.

A ureia é um insumo essencial na formulação de fertilizantes nitrogenados aplicados em culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. O Brasil figura entre os maiores consumidores globais do produto, mas depende historicamente de importações para suprir parte significativa da demanda. Com a reativação das plantas nacionais, o governo e a Petrobras projetam reduzir essa vulnerabilidade e fomentar a cadeia produtiva interna.

Segundo dados apresentados pela estatal durante a cerimônia, a capacidade combinada das três unidades já em operação – Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA – atingirá cerca de 700 mil toneladas anuais de ureia. A UFN 3 deverá adicionar volume semelhante, elevando a oferta nacional para mais de 1,4 milhão de toneladas por ano quando estiver em plena carga.

A estatal informou ainda que mantém interlocução com órgãos reguladores e ambientais para assegurar que todas as etapas de construção e operação da UFN 3 sigam as normas vigentes. O licenciamento ambiental emitido anteriormente permanece válido, mas será atualizado conforme as exigências técnicas identificadas na nova análise de viabilidade.

Com a consolidação dos investimentos previstos e a entrada em operação da UFN 3, a Petrobras pretende reposicionar-se como principal produtora de fertilizantes nitrogenados do país, contribuindo para maior autonomia do agronegócio brasileiro e para a redução do déficit na balança comercial de insumos agrícolas.