Mato Grosso do Sul encerrou o primeiro trimestre deste ano com indicadores inéditos no mercado de trabalho. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada em 14 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o rendimento médio mensal dos trabalhadores no Estado alcançou R$ 3.768, o maior valor da série histórica local e ligeiramente superior à média nacional de R$ 3.722.
O crescimento da remuneração foi acompanhado por baixa desocupação. A taxa de desemprego sul-mato-grossense ficou em 3,8 % no período, percentual que coloca o Estado entre os seis menores do país e bem abaixo da média brasileira de 6,1 %. O resultado reflete a capacidade de absorção de mão de obra no mercado regional, que engloba ocupações formais e informais para pessoas com 14 anos ou mais, conforme os critérios da pesquisa.
O desempenho sul-mato-grossense integra uma tendência observada em boa parte do Centro-Oeste. A região registrou o maior rendimento médio entre as cinco grandes áreas do país, atingindo R$ 4.379. O valor regional é impulsionado principalmente pelo Distrito Federal, líder nacional com salário médio de R$ 6.720, influenciado pela elevada concentração de servidores públicos na capital federal.
Ao todo, 15 estados e o Distrito Federal registraram patamares recordes de rendimento no início do ano. Dentro desse grupo, Mato Grosso do Sul figura logo atrás de Goiás, que apresentou média de R$ 3.878, e supera mercados tradicionais do Sudeste, como Minas Gerais, onde a renda média ficou em R$ 3.448. No outro extremo do ranking, o Maranhão apresentou o menor valor do país, com R$ 2.240.
Os valores médios por região no primeiro trimestre foram os seguintes:
- Centro-Oeste: R$ 4.379 (recorde)
- Sul: R$ 4.193 (recorde)
- Sudeste: R$ 4.125
- Norte: R$ 2.849
- Nordeste: R$ 2.616 (recorde)
No recorte estadual da desocupação, Mato Grosso do Sul ficou tecnicamente empatado com Rondônia (3,7 %) e Paraná (3,5 %). O menor índice do país foi registrado por Santa Catarina, com 2,7 %, enquanto o Amapá apresentou a maior taxa, alcançando 10 %.
De acordo com a metodologia do IBGE, são classificadas como desocupadas apenas as pessoas que realizaram busca efetiva por trabalho nos 30 dias anteriores à semana de referência da pesquisa e que estavam disponíveis para assumir a vaga imediatamente. A Pnad Contínua coleta informações trimestrais em todos os estados, abrangendo empregos com carteira assinada, contratos temporários, trabalho por conta própria e atividades sem registro formal.
Especialistas apontam que a combinação de rendimento maior e desemprego menor reforça o dinamismo econômico do Centro-Oeste, influenciado pelos setores agropecuário, de serviços e de construção civil. No caso de Mato Grosso do Sul, o avanço salarial registrado no primeiro trimestre é frequentemente relacionado à expansão de projetos industriais e ao desempenho do agronegócio, segmentos que geram ocupações diretas e indiretas com níveis de remuneração acima da média nacional.
Apesar da diferença de valores entre as regiões, o levantamento revela que a renda média do trabalho efetivo cresceu em praticamente todo o país. O número de estados com recorde de ganhos confirma a tendência de recuperação do poder aquisitivo observada nos últimos trimestres, impulsionada pela formalização de vagas e pela retomada de setores impactados durante períodos anteriores.
Do ponto de vista estatístico, tanto renda quanto desemprego são considerados historicamente baixos para Mato Grosso do Sul, que vem reduzindo gradualmente o número de pessoas sem ocupação desde o ano passado. Caso o movimento de expansão econômica se mantenha, a expectativa é de continuidade na geração de postos de trabalho e na melhora dos salários médios estaduais ao longo de 2024.
O IBGE divulgará novos resultados da Pnad Contínua no segundo trimestre, permitindo acompanhar a sustentação ou eventual recuo desses indicadores. Até lá, Mato Grosso do Sul permanece entre as unidades federativas com melhor desempenho combinado de renda e emprego no cenário nacional.








