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Interesse por cannabis medicinal avança entre mães brasileiras e se consolida em Três Lagoas

O recurso terapêutico à base de cannabis vem ganhando espaço entre mulheres brasileiras de faixa etária mais elevada, especialmente mães que buscam aliviar sintomas de dores crônicas, transtornos do sono, ansiedade e depressão. Um levantamento nacional que avaliou o perfil de mais de 7 mil pacientes do sexo feminino aponta que, hoje, esse grupo representa a parcela mais expressiva dos novos usuários de medicamentos derivados da planta.

Panorama nacional

Segundo o estudo, mulheres de 55 a 64 anos concentram 28 % do consumo de produtos canábicos importados, enquanto a faixa de 45 a 54 anos aparece logo em seguida. A maioria delas está economicamente ativa, pratica atividade física regularmente e vive nas regiões Sul e Sudeste. Entre as indicações mais frequentes aparecem distúrbios do sono, dores persistentes, quadros ansiosos e depressivos.

Os dados também mostram que sete em cada dez mães mantêm a terapia com cannabis associada a medicamentos alopáticos. Metade das entrevistadas nunca havia feito uso da planta antes da orientação médica, revelando uma mudança recente de comportamento e a redução gradual do estigma que cercava o tratamento. No ambiente clínico, profissionais relatam uma melhora na qualidade de vida e, em alguns casos, a redução gradual do uso de fármacos convencionais, como hipnóticos e ansiolíticos de controle especial.

Realidade em Três Lagoas

Em Três Lagoas, no interior sul-mato-grossense, o cenário reflete a tendência nacional. De acordo com o médico de família Vinícius Neves, responsável por prescrever cannabis medicinal na cidade, a maior parte dos atendimentos envolve pacientes com fibromialgia, transtornos de ansiedade, insônia e dores crônicas. O profissional ressalta que a indicação não é universal e depende de evidência científica para cada condição, o que exige avaliação criteriosa e ajuste individualizado de dosagem.

Neves observa ainda que a ampla divulgação nas redes sociais pode levar à banalização das informações. Por isso, considera fundamental filtrar as demandas reais e alinhar expectativas com cada paciente antes de iniciar o protocolo. O acompanhamento contínuo, na sua visão, facilita o desmame gradual de remédios de uso prolongado, reduzindo possíveis efeitos adversos associados a benzodiazepínicos e outros fármacos químicos de longo curso.

Facilidade de acesso

Nos últimos anos, o processo para obter o tratamento passou por mudanças significativas. Produtos à base de cannabis já contam com autorizações específicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e podem ser comprados em farmácias brasileiras mediante receita médica com controle sanitário. A alternativa de importação permanece disponível, porém deixou de ser a única via. Associações autorizadas também produzem óleos e extratos no país, oferecendo diversas formulações e concentrações.

Com essa cadeia de fornecimento nacionalizada, o custo diminuiu e a espera pelo medicamento encurtou. Em Três Lagoas, por exemplo, pacientes relatam receber o produto em cerca de uma semana após a consulta e a emissão da receita. A rapidez no acesso fortalece a adesão ao tratamento e amplia a confiança na terapia para enfermidades como estresse pós-traumático, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e quadros dolorosos refratários.

Quebra de preconceitos

Especialistas atribuem o crescimento da procura a fatores como maior disseminação de conhecimento científico, relatos positivos de usuários e flexibilização regulatória. Para o grupo de mães pesquisado, a expectativa principal é conquistar bem-estar sem os efeitos colaterais comuns a determinadas medicações tradicionais. Ao notar diminuição de sintomas de estresse, ansiedade intensa ou dores incapacitantes, muitos pacientes relatam melhorias em produtividade, convívio familiar e prática de exercícios regulares.

Embora a aceitação avance, profissionais alertam que a cannabis medicinal não é isenta de riscos e requer orientação qualificada. Variáveis como dose, concentração de canabinoides e possíveis interações medicamentosas precisam ser avaliadas individualmente. O acompanhamento constante, exames periódicos e ajustes de prescrição compõem o protocolo recomendado pelas sociedades médicas que estudam a terapia.

Com a convergência de regulamentação favorável, produção interna e crescente reconhecimento clínico, o uso de cannabis medicinal consolida-se como alternativa terapêutica relevante para diferentes condições de saúde. Entre mães brasileiras, sobretudo as economicamente ativas nas faixas de 45 a 64 anos, a tendência indica continuidade de expansão, acompanhada pela expectativa de aumentar qualidade de vida e reduzir a dependência de fármacos de uso prolongado.

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