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Varejo projeta 129,6 mil vagas temporárias e prioriza mulheres

Loja de varejo movimentada no fim de ano com mulheres atendendo clientes e organizando produtos.

Uma pesquisa nacional realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a OfferWise, aponta que as mulheres lideram a preferência dos empresários para as contratações temporárias no varejo. O levantamento estima a abertura de 129,6 mil vagas no Brasil até o fim de 2026. Dessas oportunidades, cerca de 42,6 mil devem ser ocupadas por mulheres, segundo as empresas que declararam priorizar o gênero feminino nas contratações.

Esse volume previsto para trabalhadoras representa um aumento de 51,7% em relação ao ano anterior. A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS) avalia que, embora o estudo tenha recorte nacional, a tendência observada pode se repetir no comércio sul-mato-grossense, dado o perfil das empresas locais.

Perfil das contratações

Entre os empresários das capitais que pretendem contratar temporários, 46,1% afirmam priorizar mulheres, enquanto 17,1% preferem homens. A preferência pelo público feminino é mais expressiva no setor de comércio, com 35,9%, e nas microempresas com até quatro funcionários, onde atinge 37,2%.

As ocupações mais citadas concentram-se em funções de atendimento, apoio operacional e serviços. Vendedor e ajudante lideram as menções, seguidos por entregador, manicure, caixa e recepcionista. Os cargos de ajudante e entregador apresentaram o avanço mais relevante na pesquisa, movimento associado à migração das vendas para canais digitais, que dependem de logística própria.

Para a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, a composição das vagas ajuda a explicar a preferência por trabalhadoras. Ela destaca que vendedor, caixa, recepcionista e manicure somam mais da metade das vagas citadas. São funções com histórico de maioria feminina no comércio e nos serviços. Parte da preferência pode refletir apenas a composição dos postos de trabalho, como no caso da manicure, ocupação quase sempre exercida por mulheres.

Condições de trabalho

Inês Santiago também relaciona o resultado ao perfil das empresas que mais demonstram intenção de contratar mulheres. Negócios menores costumam preencher postos temporários por meio de relações mais diretas com a comunidade e com equipes já formadas majoritariamente por mulheres. Nesses estabelecimentos, a contratação costuma ser direta, por indicação e por proximidade.

A pesquisa também aponta mudanças nas condições oferecidas pelas empresas. A remuneração média das vagas temporárias é de R$ 1.805, valor R$ 138 menor que o registrado em 2025. A carga horária diária caiu de 7,75 para 7,54 horas. Em contrapartida, 71% das empresas informaram oferecer algum benefício aos temporários, indicando que a redução no salário direto vem acompanhada, em parte dos casos, de compensação por outra via.

O estudo ouviu 510 empresários de todos os portes, dos setores de comércio varejista e serviços, em capitais e cidades do interior de todas as regiões do país. A coleta foi feita por telefone, no modelo CATI. A margem de erro é de 4,3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Como o levantamento é nacional, a aplicação dos resultados a Mato Grosso do Sul é uma avaliação da FCDL-MS, e não um recorte estatístico próprio do Estado.

Para a trabalhadora, a vaga temporária pode ser o primeiro passo para o emprego fixo. Para o lojista, é a chance de montar uma equipe preparada para a demanda de fim de ano. O comportamento do lojista sul-mato-grossense costuma seguir a mesma direção dos dados nacionais, especialmente considerando que o comércio local é formado em grande parte por micro e pequenas empresas, perfil em que a preferência por mulheres aparece com força na pesquisa.

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