O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 terminou com 12 ocorrências relacionadas a crimes eleitorais em Mato Grosso do Sul, segundo balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O número representa crescimento em relação ao primeiro turno, que havia contabilizado oito casos, embora a pasta tenha avaliado que a votação transcorreu de forma pacífica na maior parte do território estadual.
De acordo com o secretário‑executivo de Segurança Pública da Sejusp, Wagner Ferreira da Silva, a maioria das ocorrências foi de menor potencial ofensivo. Predominou a violação do sigilo do voto, prática que inclui eleitores que fotografaram ou filmaram a urna eletrônica durante a votação. Também foram registrados dois casos de boca de urna, forma ilícita de propaganda eleitoral no dia da votação.
Um caso singular ocorreu em Chapadão do Sul, onde as teclas 1 e 3 de uma urna eletrônica foram danificadas. A pessoa suspeita foi conduzida para os procedimentos necessários em Chapadão e deverá ser ouvida para responder perante a Justiça. Além dessas situações, não foram identificados outros delitos de maior gravidade.
Para garantir a segurança durante a votação, a Sejusp mobilizou 3.348 profissionais, apoiados por 584 viaturas e dois helicópteros. A operação foi planejada para atender aos 1.036 locais de votação e às 7.272 seções eleitorais distribuídas pelas 54 zonas eleitorais do estado, integrando esforços de instituições estaduais e federais em apoio ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE‑MS).
Segurança nas urnas
O monitoramento foi coordenado pelo Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Sejusp, com participação de representantes da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Exército Brasileiro e Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Wagner Ferreira da Silva ressaltou que a prorrogação do horário de votação, determinada pelo ministro Nunes Marques, não alterou o balanço geral da operação. “Só tivemos que aguardar o horário previsto para que se iniciasse a totalização dos votos e mantivemos todo o efetivo até o final do horário anunciado, mas nenhum outro fato de gravidade foi registrado durante esse pleito”, afirmou.
Apesar da avaliação de tranquilidade nas urnas, a véspera da votação foi marcada por um episódio violento em Bonito. Ewerton Rodrigues da Silva, de 34 anos, morreu após ser baleado na noite de sábado (24), enquanto outro homem, de 30 anos, sofreu ferimento no tórax. A confusão começou após um desentendimento entre o motorista de uma caminhonete e o pai de um adolescente de 16 anos. Testemunhas relataram que o jovem buscou uma arma, retornou ao local e efetuou disparos. O adolescente é apontado como suspeito dos disparos, e o pai também está sendo investigado pela Polícia Civil, que ainda não localizou os dois suspeitos.
Em Campo Grande, a divulgação dos resultados da eleição presidencial provocou outra altercação nas proximidades da Avenida Afonso Pena. Apoios ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) estavam reunidos quando um motorista que circulava em um Chevrolet Onix vermelho com bandeiras do Partido dos Trabalhadores (PT) foi alvo de agressões. Testemunhas gravaram objetos sendo arremessados contra o veículo, um pedaço de madeira atingindo o para‑brisa e o motorista sendo socado, chutado e caindo, batendo a cabeça em outro carro. Duas crianças, identificadas como filhas do motorista, foram vistas chorando. A Polícia Militar interveio para conter a situação, conforme relatado por Wagner Ferreira da Silva, que já havia previsto o acompanhamento de pontos de grande concentração de pessoas na capital.
Reações políticas
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), reeleito no primeiro turno, comentou o cenário político pós‑eleição presidencial. Riedel defendeu o respeito às instituições e ressaltou a possibilidade de contestação dentro dos critérios legais, ao mesmo tempo em que afirmou que a relação administrativa com o governo federal será mantida, independentemente de divergências políticas. “Nós vamos continuar trabalhando com o governo federal para melhorar Mato Grosso do Sul. Como eu já disse antes, separo muito a discussão política da administrativa”, declarou.
As investigações sobre as duas ocorrências violentas – a morte em Bonito e a agressão em Campo Grande – permanecem em curso. A Sejusp continuará monitorando possíveis infrações eleitorais e reforçando a presença de forças de segurança nos locais de votação nas próximas etapas do processo eleitoral. O acompanhamento das autoridades deve garantir que eventuais irregularidades sejam apuradas e que a população tenha confiança na lisura do pleito.







